Inteligência artificial avança e já é indispensável para 82% dos publicitários
Estudo da IAB Brasil em parceria com a Nielsen mostra um avanço significativo em relação aos 69% registrados em 2025
O uso de inteligência artificial já deixou de ser experimental e se tornou parte estrutural da operação publicitária, com 82% dos profissionais considerando a tecnologia indispensável no dia a dia, segundo pesquisa do IAB Brasil em parceria com a Nielsen. O índice representa um avanço significativo em relação aos 69% registrados em 2025. Realizada em março, a pesquisa ouviu 135 profissionais do ecossistema de publicidade digital incluindo agências, consultorias, veículos e plataformas. Os resultados serão apresentados no IAB IA Summit 2026, hoje (27) de março, em São Paulo.
O estudo 'Decodificando os desafios da IA no mercado de publicidade digital' também aponta uma evolução na maturidade do uso: o número de empresas que utilizam IA há três anos ou mais saltou de 67% para 88%, evidenciando a consolidação da tecnologia nos processos e rotinas do setor.
Apesar disso, os principais benefícios ainda estão concentrados na eficiência operacional — citada por 80% dos entrevistados — e no ganho de velocidade (79%). Ao mesmo tempo, cresce a percepção de impactos mais estratégicos, como apoio à tomada de decisão (56%) e melhoria da experiência do cliente (43%), indicando uma mudança gradual no papel da IA.
Na prática, a tecnologia segue sendo amplamente aplicada na análise de dados e geração de insights (90%) e na criação de conteúdo (73%). No entanto, o levantamento mostra um avanço para frentes mais estruturais, como o desenvolvimento de sistemas de marketing (34%), sinalizando que a IA passa a influenciar não apenas a execução, mas também a arquitetura das operações no setor.
Para Denise Porto Hruby, CEO da IAB Brasil, o mercado entra em uma nova etapa de adoção, em que o desafio deixa de ser experimentar e passa a ser integrar. “Se no ano passado a discussão estava concentrada no potencial da IA para impulsionar a criatividade, agora vemos um avanço claro para um uso mais estruturado e estratégico. O desafio é integrar a IA aos processos, com um olhar de geração de valor e transformação de negócios. No fundo, estamos falando de uma mudança na fundação das organizações”, afirma.
Sabrina Balhes, Managing director da Nielsen, destaca que o avanço da tecnologia exige uma sofisticação na forma como resultados são analisados e utilizados. “Observamos um movimento consistente de evolução dos indicadores, com as empresas começando a ir além da automatização de tarefas operacionais. Esse avanço exige maior maturidade analítica e, por isso, a capacidade de interpretar dados, fazer boas perguntas e tomar decisões passa a ser ainda mais essencial e um importante diferencial competitivo.”