Jurado brasileiro conta sua experiência no Fiap 2013

Falando bem do Brasil

Acabo de acabar minha primeira experiência como jurado de um prêmio internacional, o Fiap. Todas as categorias já estão julgadas e com os principais prêmios decididos.

Já que o trabalho está feito, vou me dedicar a contrariar uma velha máxima de todo brasileiro quando sai do Brasil (incluindo a mim) e vou falar bem do nosso velho e bom país.

Razões para isso não me faltaram nessa viagem. A começar pelas duas horas e meia de fila na imigração para entrar na América. Sim, duas horas e meia de pé, no calor e sem nenhum preparo especial. Fila que até os americanos estavam enfrentando. A razão para isso, informada por um cartaz no aeroporto: a diminuição dos policiais de fronteira por conta dos cortes de custo do Governo Federal. Agora me diz, você imagina o que a gente estaria falando do Brasil se isso tivesse acontecido em Guarulhos? Então, lá vai o elogio número um: nunca, nunca demorei mais que uma hora na fila para entrar no Brasil.

Agora pula e vamos para o Festival. E aí vem o elogio número dois: tenho visto a enorme maioria dos brasileiros convidados a julgar prêmios internacionais focados no mérito das peças, independentemente de que país ou de que agência sejam. Ou seja: as peças brasileiras vencedoras ganham porque são boas e não porque são brasileiras. E acho isso um sinal da maturidade da nossa cultura publicitária. Maturidade que ainda deve demorar um pouco pra dar as caras nos países “emergentes” da publicidade mundial. O Fiap, pelo que vi dos resultados e conversei com os outros jurados brasileiros, é uma prova disso.

Pra ser justo, em Inovação, todos os jurados que estiveram comigo (dois argentinos, um mexicano, um colombiano e um chileno) eram de altíssimo nível e focados também no mérito das peças. Pode ter sido sorte de principiante ou o fato de estarmos em um júri pequeno (éramos sete) e sobre um assunto cujo critério é mais ou menos objetivo. De qualquer maneira, as discussões foram a melhor parte da experiência.

Elogio número três: pelo menos em Inovação, foi impressionante a diferença de nível entre as peças brasileiras e o resto do mundo, com exceção do case de Axe Young and Matures, da Argentina. De cinco ouros, três são brasileiros, e nas pratas, são cinco as brasileiras de um total de nove. Ou seja, se a gente ainda não está batendo Inglaterra e Estados Unidos, na Iberoamérica não tem pra ninguém.

Fora o júri, as palestras e conferências do Festival (em conjunto com a AHAA – Associação Hispana das Agências de Publicidade), ainda que bem interessantes, tem girado em torno do mercado hispano. E me lembrou muito das discussões que a gente teve sobre a Nova Classe Média. E aí, elogio número quatro, acho que a gente já atravessou algumas pontes que os caras ainda estão construindo. Na minha opinião, o Brasil da Classe Média já está mais aceito e “entendido” do que a America Hispana. Sei que o assunto por aqui é um tanto mais complexo, mas afinal de contas, esse texto é sobre elogiar o Brasil. Então bingo!

Dito isso, parto para o meu quinto e final elogio, ainda que a raiz dele não seja lá muito elogiosa. O custo de vida em São Paulo anda tão absurdo que aqui em Miami eu, como 100% dos meus compatriotas, aproveito os intervalos para me jogar na compra de cacarecos sem fim que fazem me sentir um poderoso consumidor na América, terra do consumo, dos sonhos e da prosperidade. Alguém aí quer um par de tênis?

*Vice-presidente de planejamento da Fischer & Friends