Juliana Leite, VP da Africa Creative, participou da primeira sessão de insights trazidos pelos júris do festival

A primeira sessão de ‘Jury insights’ do D&AD 2026, ‘Culture Club’, contou com a participação da brasileira Juliana Leite, VP de projetos especiais e conteúdo criativo da Africa Creative, jurada na área Cultural Influence do festival, que ocorre até quarta-feira (20), em Londres.

Ela e seus pares no júri analisaram cases inscritos na categoria com real impacto sobre a cultura, como ‘Pope yes’, ação em tempo real realizada pela rede de frango frito, que publicou um tuite usando apenas as palavras ‘pope yes’ (Papa sim), minutos após o conclave da Igreja Católica que elegeu o Papa Leão XIV, fazendo um trocadilho com o nome da marca, Popeyes.

A análise feita é que o timing foi o ‘responsável’ pelo sucesso viral da campanha. “Um dia depois, isso não teria acontecido, seria muito tarde. Então, isso mostra como a cultura é uma coisa muito difícil de acompanhar, você precisa chegar lá no tempo certo”, disse Daniel Fisher, global chief creative officer da Ingo.

Juliana acrescentou: “É muito corajoso uma marca falar de religião usando humor. Acho incrível como eles colocaram isso, sem ser ofensivo”.

A campanha escolhida pela criativa foi ‘Tracking Bad Bunny’, que lançou o álbum ‘Debí Tirar Más Fotos’, do artista porto-riquenho Bad Bunny. Em vez de divulgar a lista de músicas, a equipe substituiu os títulos das faixas no Spotify por coordenadas geográficas no Google Street View, como uma espécie de caça ao tesouro para os fãs, que levavam a pontos específicos em Porto Rico.

“Isso é um presente para uma agência, usar um momento cultural para fazer esse tipo de ação. O jeito que eles navegaram foi incrível. Eu realmente amo esse trabalho E, como latina, eu me senti super-representada. E nem sempre ter uma celebridade se torna mais fácil, mas nesse caso eles acertaram em cheio ao se dirigir para a comunidade do Bad Bunny”, destacou a VP da Africa.

A primeira sessão com os insights dos júris do D&AD 2026 contou com a brasileira Juliana Leite (penúltima na foto), VP da Africa Creative

Nourhan Moaz, co-founder da 6FNGRS, apresentou à audiência o case ‘Gulf of Mexico (Bar)’, da marca de cerveja Tecate, que surgiu em uma resposta sarcástica a uma controversa política. “Ela é um ótimo exemplo de se ter um problema político e lutar de uma forma que não é política. Resolveu a questão com um sentido de humor”, ressaltou Nourhan.

Em resumo, a campanha surgiu após a iniciativa de renomear o Golfo do México para Golfo da América, nos Estados Unidos. A marca instalou um bar flutuante no meio do Golfo e registrou o bar como um negócio oficial no Google Maps. Quando o Google removia o pin, a Tecate e seus fãs o recolocavam repetidamente, transformando o ato em um símbolo de resistência mexicano.

Juliana avaliou que esse é um bom exemplo de como uma marca entende a sua comunidade e atende aos desejos dela. Segundo os jurados de Cultural Influence, a cultura está se tornando uma parte importante de como as marcas vão construir seus negócios.

A VP da Africa lembrou que, às vezes, as marcas erram na construção da conexão com a sua comunidade. “Estabelecer uma intimidade e devolver a sua comunidade é uma construção a longo prazo. Você tem que tentar, e falhar, correr riscos. Eu trabalho com um banco (Itaú) que simplesmente levou Madonna para um show em Copacabana. Foi um momento cultural enorme. E você pode fazer isso com qualquer marca, desde que você entenda a profundidade da vida do consumidor e que isso possa fazer parte da cultura”.

A co-founder da 6FNGRS disse que essa construção de conexão também depende da consistência da ideia. “A ideia faz uma marca ser relevante para a cultura. Então, eu acho que funciona para qualquer marca. A ideia em si vai clicar com a comunidade o suficiente para fazê-los se lembrar da marca e criar relevância”, afirmou Nourhan.

Geoff Edwards, managing diretor Creative da Gale, afirmou que na agência há muito investimento em sociólogos, diretores de comunidades e estrategistas sociais. “Eu acho que hoje em dia as marcas querem ser cultura, mas é preciso ter especialistas para buscar isso. É difícil, porque tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e você pode ter especialistas que podem ajudar”.

Os painelistas também falaram sobre a importância de ter uma relação forte como os clientes para que possam correr risco junto com as agências. “Nós temos que ter uma relação muito forte com os clientes. Eu acho que ser parte da cultura é um processo a longo prazo, você tem que ter isso como um objetivo, e aí você começa a trabalhar e testar, e eu acho que, de novo, nós vamos errar. Então, a marca tem que estar pronta para alguns riscos”, pontuou Juliana.