Kopenhagen lança selo nas embalagens para dar transparência à origem do cacau
K.O.P é uma plataforma de comunicação que reúne rastreabilidade, sustentabilidade e presença nas embalagens a partir de agosto
O selo ‘K.O.P Origem Protegida’, lançado em 28 de abril, apresenta ao consumidor final a origem do cacau utilizado pela Kopenhagen em suas receitas.
Fernando Vichi, CEO da marca, declarou, em apresentação à imprensa: “Então se a Kopenhagen está lançando o selo, o que mudou? Na verdade, estamos compilando tudo que por décadas eram iniciativas um pouco mais isoladas, mas que a gente sempre tinha preocupação e sempre endereçava esforços. E tudo isso dentro de um programa com uma assinatura que daremos uma comunicação devida, uma transparência a todos os consumidores.”
É nesse contexto que a companhia estrutura o plano de comunicação do K.O.P, com a landing page como hub central da estratégia.
Pedro Velardo, head de marketing da Kopenhagen, afirma que a comunicação vai além do ambiente digital. “Já começamos a comunicar nas nossas redes sociais.” Mesmo com a campanha de Dia das Mães em veiculação, o K.O.P, definido como comunicação matriz, estará presente em todas as frentes. “O K.O.P é um pouco institucional, mas também é produto. Ele é matricial. Se eu estou falando de Black Friday, que é mais promocional, ou de uma Páscoa, que é super emocional, o K.O.P vai estar embasando e alicerçando toda a comunicação.”
As redes sociais são apontadas como um dos principais pilares. “Eu acho que é um dos grandes pilares. Nas mídias proprietárias, tudo que é de Kopenhagen, eu vou estar comunicando.”
Outro eixo relevante são as lojas físicas. “Nós temos quase 850 lojas. Então são 850 pontos de contato com os consumidores, milhões de pessoas passando pelas nossas lojas por dia.” A comunicação será incorporada gradualmente aos espaços, incluindo painéis digitais, TVs e materiais no ponto de venda.
As novas embalagens com o selo devem chegar ao mercado até o fim de agosto, com informações resumidas e direcionamento para a landing page. “Por isso que a landing page é quase o centro da nossa comunicação.”
A identidade visual foi desenvolvida pela Ginga. Fernanda Fontes, CCO da agência, explica o conceito: “A identidade visual e o naming que desenvolvemos para a plataforma refletem a transição da ‘matéria-prima à obra-prima’. Para a Kopenhagen, não bastava falar de sustentabilidade de forma genérica; precisávamos de um tom proprietário.”
Sobre o selo, ela detalha: “Sua construção combina dois elementos essenciais: a forma do cacau, que remete à origem, e o fouet, símbolo da artesania e do saber-fazer Kopenhagen.”
Segundo Velardo, o projeto marca um dos últimos trabalhos da agência antes de uma transição. “Foi um ciclo de quase três anos. Agora a gente está em mudança, acompanhando esse momento de evolução da marca.”
A estratégia, segundo ele, busca equilibrar tradição e renovação. “A gente precisa defender tudo que construiu até hoje, mas também evoluir acompanhando as mudanças do mundo e das novas gerações.”
A marca também prepara um filme conceito, com foco no digital. “Hoje não tem plano para ir para TV, mas ele vai estar muito mais alicerçado no digital.”
Rastreio da cadeia produtiva
A proposta de dar visibilidade à origem do cacau se ancora em uma reestruturação da cadeia produtiva da companhia nos últimos anos.
A aquisição do Grupo CRM — que operava a Kopenhagen — pela Nestlé, aprovada em fevereiro de 2024 pelo Cade, impulsionou práticas que já vinham sendo adotadas. “Agora, com o advento da parceria, a gente consegue dar um passo até maior. Através do Cocoa Plan, chegamos até o agricultor, que nos abriu a porta para conhecer as fazendas”, afirma Vichi.
Antes intermediado por moageiras, o processo passou a incluir acesso direto aos produtores, ampliando a rastreabilidade da cadeia e o controle sobre práticas agrícolas.
O programa de cacau sustentável do grupo reúne cerca de 6,5 mil produtores parceiros. Aproximadamente 10% desse volume está vinculado à produção destinada à Kopenhagen.
Na operação, não há distinção na origem da matéria-prima entre as marcas do grupo. “A mesma manteiga de cacau, o mesmo líquido de cacau são utilizados na fábrica como um todo. O que diferencia é a formulação e o processo produtivo”, diz Vichi.
Apesar de o selo estrear na Kopenhagen, a matéria-prima é compartilhada entre as marcas, e a extensão do programa para a Brasil Cacau está em avaliação.
O cultivo do cacau no Brasil se concentra em regiões de clima quente e úmido, como Bahia, Espírito Santo e áreas da Amazônia. A Fazenda Engenho D’Água, parceira da Nestlé desde 2022, está localizada no recôncavo baiano, a cerca de uma hora de Salvador.
Programa com produtores locais
Esse modelo de rastreabilidade depende diretamente da relação com os produtores, que não segue uma lógica contratual tradicional.
“O produtor não tem obrigação de vender para a gente. É uma relação que precisa ser construída todos os dias”, afirma Igor Mota, gerente de agricultura para cacau da Nestlé.
Na prática, a adesão envolve incentivos financeiros e suporte técnico. Os produtores recebem um prêmio por tonelada, além de acesso a assistência agronômica, análise de solo e orientação produtiva. Em contrapartida, precisam cumprir critérios sociais e ambientais, com monitoramento contínuo das propriedades.
A decisão de venda, no entanto, segue a dinâmica de mercado. “O produtor avalia cada momento. Em alguns períodos, pode valer mais vender no mercado. Em outros, a estabilidade da parceria compensa”, explica.
A orientação, segundo ele, é de longo prazo, considerando o histórico da relação e não apenas oscilações pontuais de preço.
Fábrica está localizada em Extrema (MG)
A lógica de parceria no campo se reflete na estrutura industrial da companhia. No eixo de sustentabilidade, a companhia também trabalha com diretrizes voltadas a embalagens recicláveis, tanto primárias quanto secundárias.
Segundo Michey Piantavinha, diretor fabril da Nestlé, a operação começou a ser desenhada em 2010, com a construção da fábrica em Extrema, município de Minas Gerais, seguida pela implementação do centro de distribuição em 2015, ao lado da unidade produtiva.
Em períodos sazonais, como Natal e Páscoa, o quadro de colaboradores pode chegar a mil pessoas, acompanhando o aumento da demanda por panetones e ovos de chocolate.
Atualmente, o portfólio soma 435 SKUs, sendo cerca de 60% da Kopenhagen. A produção anual gira em torno de 5,53 mil toneladas.
Preço do cacau enfrenta flutuações
Esse movimento ocorre em um contexto mais amplo de pressão sobre a cadeia global do cacau.
As mudanças climáticas têm impactado a produção. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, o recebimento de amêndoas nacionais caiu 37,4% no primeiro semestre de 2024, somando 58,3 mil toneladas na comparação anual.
Embora tenha havido leve recuperação em 2025, com 186.137 toneladas (+3,7%), o volume ainda não atende à demanda da indústria. No processamento, a moagem caiu 14,6% no mesmo período.
Dados da International Cocoa Organization indicam que, entre 2021 e 2024, o Brasil apresentou saldo negativo de 0,4 ponto percentual nas exportações de cacau, refletindo maior consumo interno.
No campo regulatório, tramita o projeto de lei 1.769/2019, conhecido como ‘Lei do Chocolate’, que estabelece percentuais mínimos de cacau para diferentes categorias. Aprovado pelo Senado em abril, o texto segue para sanção presidencial.
Segundo Piantavinha, a Kopenhagen já atende aos critérios propostos, em razão da alta concentração de cacau em suas receitas.
O repórter viajou a convite da Kopenhagen