Lifestyle gospel movimenta R$ 21 bilhões por ano no Brasil, aponta pesquisa

Relatório da Zygon Adtech e da EIXO analisa comportamento da comunidade evangélica, com foco na Geração Z, consumo e presença nas redes sociais

O crescimento da comunidade evangélica no Brasil tem ampliado seu impacto para além do campo religioso, influenciando hábitos de consumo, comportamento cultural e estratégias de marcas. É o que aponta o relatório Gospel Power 2025, estudo inédito conduzido pela Zygon Adtech em parceria com a EIXO, que estima em R$ 21 bilhões o volume anual movimentado pelo chamado lifestyle gospel no país.

Segundo o levantamento, esse valor supera, por exemplo, o mercado brasileiro de influenciadores digitais, estimado em R$ 20 bilhões. O estudo analisa transformações comportamentais e mercadológicas relacionadas a cerca de 47 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos, número equivalente a 26% da população, de acordo com dados do IBGE.

Juventude, redes sociais e renovação do público

A pesquisa destaca o avanço do grupo entre os mais jovens. De acordo com o relatório, 28% da comunidade evangélica é formada por adolescentes entre 15 e 19 anos, enquanto as crianças representam 31% da base religiosa. O estudo projeta que, mantido esse ritmo de crescimento, os evangélicos poderão se tornar o maior grupo religioso do Brasil até 2049.

Para mapear esse comportamento, o Gospel Power analisou cerca de 228 mil menções nas redes sociais TikTok, Instagram e Twitter (X), a partir de técnicas de netnografia e social listening, além de entrevistas com líderes religiosos, pastores e fiéis. O material aponta uma ampliação da presença digital da fé, com conteúdos que circulam entre temas como humor, autocuidado, consumo, moda e identidade cultural.

Consumo, marcas e publicidade

O relatório indica que a fé exerce influência direta sobre decisões de consumo. Segundo os dados, 58% dos evangélicos afirmam que seus princípios religiosos impactam escolhas de compra, e o mesmo percentual declara estar disposto a pagar mais por produtos e serviços alinhados a essas crenças. Ao mesmo tempo, 52% dizem não se sentir representados pelas campanhas publicitárias atuais, enquanto 31% afirmam já ter boicotado marcas que consideram desalinhadas aos seus valores.

Para o fundador da Zygon Adtech e coarticulador da pesquisa, Lucas Reis, o comportamento do grupo reflete uma reorganização social mais ampla. “Estamos falando de uma instituição que ocupa uma lacuna deixada pelo Estado, passando a atuar em áreas como assistência social, educação e acolhimento comunitário. Além disso, vemos que o legado construído por seus pais está embasando o futuro das gerações, e consequentemente, suas escolhas na economia e nas esferas sociopolíticas”, afirma.

Fé, mídia e novos formatos culturais

O estudo também aponta a midiatização das igrejas como um fator central desse processo. Plataformas digitais passaram a funcionar como canais de difusão de mensagens religiosas, ampliando o alcance de líderes e criadores de conteúdo ligados à fé, como Deive Leonardo e Isadora Pompeo. Nesse contexto, a pesquisa identifica fenômenos como a chamada “teologia da prosperidade” e o “Gospel Premium”, associados à relação entre fé, consumo e status social.

“O que estamos observando é que a fé, hoje, transcende o espaço religioso. Ela molda escolhas de consumo, lifestyle e identidade cultural, conectando gerações e consolidando uma comunidade que se expressa nas redes sociais e na economia”, conclui Lucas Reis.

Imagem do topo: Edwin Andrade/Unsplash