Lucas Feltes: ‘Social é camada estrutural do negócio’

CEO da WT.AG comenta o papel do ambiente social nas estratégias e no relacionamento dos anunciantes com seus stakeholders

O ambiente social veio para mudar a publicidade e nesse momento é a bola da vez nas estratégias de persuasão e relacionamento das marcas com seus stakeholders, sobretudo o consumidor final.

O digital tem efeito sintomático no negócio e, nas palavras de Lucas Feltes, CEO da WT.AG, é a sua camada estrutural. A agência, nascida em Novo Hamburgo (RS), está consolidada em São Paulo, atendendo clientes como Bradesco, Bet do Milhão, BYD, Gol, Calvin Klein, Sicredi e Grupo Fleury.

“Estar em São Paulo era um sonho. Mas não uma utopia. Junto com meu sócio Dudu Rodrigues buscamos a melhor alternativa para desembarcarmos na cidade”, conta ele.

Lucas Feltes: “O social é o campo de validação criativa” | Imagem: divulgação

SOCIAL
Social first não é uma metodologia complementar na WT.AG; é a lente pela qual enxergamos o mercado. A maioria das marcas ainda adapta campanhas ao social. Nós partimos dele. Hoje, nenhuma ideia nasce sem considerar algoritmo, retenção, compartilhamento e potencial de conversa. O social first nos obrigou a abandonar planos rígidos e abraçar ciclos curtos de teste, aprendizado e escala. Isso deixou a agência mais rápida, mais eficiente e mais conectada à cultura real, não à cultura imaginada dentro de uma sala de briefing. Temos uma mentalidade sprint, mas com olhar para a consistência futura.

EFEITO
O social virou o primeiro filtro de relevância cultural. É onde a reputação se constrói, onde crises começam e onde tendências nascem. Quem ainda trata social como “digital” ou “desdobramento” está operando com lógica de 2015. Hoje, a cultura é algorítmica. Se a marca não entende isso, ela não lidera, ela reage. E reagir, no mercado atual, é sempre estar atrasado.

DADOS
Se o dado não entra antes da ideia, ele vira desculpa depois. Dados fazem parte do briefing criativo. Mapear tensões culturais, conversas emergentes e comportamento de consumo virou pré-requisito. E depois que a campanha está no ar, o dado vira bússola: escala o que retém, corta o que não conecta, ajusta a narrativa em tempo real. Criatividade não pode mais ser baseada apenas em repertório interno. Ela precisa dialogar com sinais reais de mercado.

VITRINE
Hoje, o feed é ponto de venda. É vitrine, é recomendação, é prova social e é checkout. Temos campanhas em que o storytelling gera desejo e, no mesmo fluxo, direciona para conversão com impacto direto na receita. E mais do que venda imediata, o social influencia recompra e fidelização. Quem ainda separa branding de performance está separando algo que o consumidor já integrou. Marketplaces como Amazon e Mercado Livre já agem dessa forma há muito tempo. E canais como Instagram, TikTok e Facebook trabalham com as agências para que essa separação inexista.

Leia a íntegra da reportagem na edição impressa de 23 de fevereiro.