Maurice Lévy garante: conflitos não serão problema

 

Se há um sem número de incógnitas sobre os benefícios e problemas que a união entre Publicis Groupe e Omnicom vai acarretar para seus próprios negócios, uma das principais é, sem dúvida, o possível desconforto de grandes marcas globais que, pela fusão, passariam a estar sob um mesmo enorme guarda-chuva – a não ser que decidissem buscar um novo abrigo.

Porém, isso não tira o sono dos principais líderes da nova gigante da publicidade mundial. Segundo Maurice Lévy, coCEO do Publicis Omnicom, o conflito de contas – no caso em questão com exemplos como Pepsico e Coca-Cola, Apple e Microsoft ou Volkswagen e Fiat – no nível das holdings não é mais percebido como grande impeditivo para um relacionamento. Além disso, ele garante que a preocupação em manter divisões claras confortáveis foi uma preocupação desde o início do processo.

Em entrevista ao Advertising Age, o executivo destacou: “Há muita gente levantando a bandeira do conflito de contas como uma questão que nos trará problemas enormes. Porém, atualmente, os clientes são muito mais pragmáticos nesse quesito”. Lévy usou ainda exemplos do inglês WPP, já que seu CEO, Martin Sorrell, é um dos que mais levantaram a bandeira dos anunciantes conflitantes como futuro imbróglio para o a nova holding franco-americana. “O WPP, por exemplo, é um grupo que atende a linha de cremes dentais da Colgate Palmolive, assim como a mesma linha da Unilever, diversos cosméticos da Procter & Gamble e uma longa lista de produtos da Kimberly-Clark”, enfatizou. “Alguns conflitos são mais complicados que outros. Além de deixarmos divisões claras nesse sentido, sabemos que há aspectos emocionais – os quais não estamos descartando. Estamos tratando cada uma das possibilidades e acreditamos estar preparados para oferecer soluções para todos os nossos clientes”, complementou.

Pouquíssimo risco

Lévy fez questão ainda de ressaltar o baixo risco para qualquer das partes envolvidas no nascimento do Publicis Omnicom. Segundo ele, não há qualquer motivo para desconfiança. “Lembro quando fizemos o acordo com a Saatchi e os analistas disseram que era uma companhia problemática e iria quebrar, mas no final, os resultados foram fantásticos. Algo parecido aconteceu com a D’Arcy. Essa transação é muito grande, mas os riscos são muito, muito pequenos. “Não haverá distrações, porque não estamos planejando fundir a BBDO com a Leo Burnett, ou a OMD com a Starcom (duas das principais redes de agências de mídia, cada uma pertencente a um dos grupos). A pessoas estão extremamente ansiosas porque o negócio está gerando uma série de mudanças na indústria. Mas tudo correrá rapidamente, facilmente e terá risco mínimo. Vocês ficarão extremamente surpresos”, concluiu.