Média salarial nas agências é de R$ 4,3 mil, divulga Fenapro

Estudo realizado pelo Sistema Nacional das Agências de Propaganda, com dados da Celerh, reúne 91 empresas de 23 estados e não considera lideranças

O salário médio em agências de publicidade no Brasil é de R$ 4.318 para cargos não executivos, segundo a sondagem do Sistema Nacional das Agências de Propaganda (formado pela Fenapro, 19 Sinapros e três delegacias).

Realizado no último trimestre de 2025, com levantamento da consultoria Celerh e auditoria independente, o estudo reúne dados de 91 empresas de 23 estados, mapeia mais de 200 funções e traz informações sobre benefícios, modelo de trabalho e gestão de pessoas.

O perfil das participantes ajuda a contextualizar o número. Entre as agências pesquisadas, 65% têm até 30 colaboradores, 25% operam com equipes de 31 a 99 pessoas e apenas 10% ultrapassam a marca de cem funcionários. O recorte evidencia um mercado majoritariamente composto por pequenas e médias operações, com dinâmicas próprias de contratação, retenção de talentos e estrutura de custos.

“Essa média salarial de R$ 4.318 mostra uma realidade dos municípios e estados brasileiros. Quando você olha o perfil das agências que responderam, percebe que o estudo traduz majoritariamente mercados regionais, com pequenas e médias agências”, afirma Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro.

Na avaliação da executiva, a relevância da sondagem está justamente em dar visibilidade a um segmento que historicamente opera com menor acesso a dados estruturados. “Essas agências não teriam capital para contratar pesquisas próprias. Então, a gente cumpre um papel de fornecer dados para subsidiar a gestão”, diz.

Para a presidente, ao abrir informações como salários, benefícios e práticas internas, o levantamento também evidencia um movimento de maior maturidade e colaboração entre as empresas participantes. A adesão de agências de diferentes regiões indica uma disposição crescente em compartilhar parâmetros para fortalecer a gestão no setor.

Nesse contexto, a regionalidade aparece como característica estrutural e como fator competitivo. Segundo Ana, esse processo fortalece cadeias produtivas inteiras. “Tem todo um ecossistema das mídias locais, das pequenas mídias alternativas, das gráficas, das produtoras e de áreas correlatas que se fortalecem nos mercados locais”, diz.

Ana Celina: “A gente cumpre um papel de fornecer dados para subsidiar a gestão” | Imagem: divulgação

Home office e modelo híbrido reduzem barreiras

A sondagem também evidencia mudanças consolidadas nas relações de trabalho. Entre as agências participantes, 78% operam em regime híbrido ou remoto e 70% adotam horário flexível.

O avanço desses modelos ampliou o acesso a talentos, reduziu barreiras geográficas e intensificou a competição entre mercados. “O fato de trabalhar em home office ou híbrido oportuniza que as pessoas trabalhem para qualquer mercado. Se eu não me submeter, em alguns cargos estratégicos, a pagar o salário que os grandes mercados pagam, eu não vou reter ninguém”, afirma a presidente.

Na prática, a remuneração passa a ser analisada em conjunto com o pacote total oferecido ao colaborador. Os benefícios representam entre 30% e 40% do custo total, e o levantamento mostra que, embora auxílios de curto prazo como saúde e alimentação estejam bem estabelecidos, ferramentas de retenção de longo prazo, como previdência privada, seguem subutilizadas.

Entre as práticas mais comuns estão day off no aniversário (61%), incentivo à educação (40%), plano de academia (30%), além de ações voltadas à saúde mental e licença-maternidade estendida. Os dados de gestão de pessoas também chamam a atenção. O turnover nas agências é de 3,76%, abaixo da média de mercado, com tempo médio de permanência de quatro anos por colaborador.

Paralelamente, 59% das agências afirmam contar com avaliação de desempenho e programa de desenvolvimento individual, enquanto 48% possuem plano de cargos e salários. Agências líderes avançam ainda para uma gestão baseada em dados (people analytics), conectando métricas individuais aos resultados de negócio. “A gente não via, historicamente, política de desenvolvimento das pessoas em agência. Então, isso eu achei muito positivo”, afirma Ana Celina.

Outro dado relevante é a composição de gênero nas agências de publicidade. As mulheres representam 59% dos colaboradores das empresas pesquisadas, e 40,6% ocupam cargos de liderança. Para a presidente da Fenapro, o avanço é significativo, embora ainda desigual entre as áreas. “A publicidade foi sempre dominada por homens, principalmente na área de criação. A gente está vendo esse quadro virar”, afirma Ana, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Fenapro.

Imagem do topo: creativeart/Freepik