Jason Bevan (Reprodução/Youtube)

Jason Bevan foi um dos convidados dessa quarta-feira (3) do Lions Live, evento online promovido pelo Cannes Lions.

O executivo enumerou cinco dicas da indústria cinematográfica que podem inspirar o mercado criativo. Bevan foi VP de marketing da Warner Bros. Studios e ficou na empresa durante 15 anos.

Confira:

Dica 1: aprenda seu tópico, mas não suas convenções

Segundo Bevan, o primeiro ensinamento é não se ater a convenções que envolvem seu produto. Quando participou do lançamento da trilogia de Batman: O Cavaleiro das Trevas, o executivo lembra como Christopher Nolan e sua equipe repensaram batimóvel num modelo inédito que inspirou os carros esportivos da época.

“Eles fundamentalmente repensaram o visual e design de um dos veículos mais icônicos do cinema”, relata.

Se seguissem o que era criado à época, é provável que o batimóvel não tivesse o visual que conhecemos hoje.

Dica 2: Coragem de autoconfiança

Na era dos super heróis, é preciso coragem de um estúdio como FOX em criar algo como o Deadpool. Bem como Coringa, filme que trouxe o mundo sombrio das doenças mentais para os holofotes. As duas obras precisaram de coragem. “Com bravura vem a autoconfiança.

“Walt Disney tinha confiança provavelmtente do tamanho do império que criou. Ele transcender as regras tradicionais do cinema e fazer seus filmes uma experiência de vida real”, exemplifica o executivo ao trazer o lendário empresário do entretenimento como modelo. Ele relembra que Walt Disney pensou num cinema com vento, cheiro e efeitos na temperatura 80 anos de qualquer um.

Coragem de Walt Disney deve servir de exemplo (Reprodução/Youtube)

“A Disneylandia foi um game changer na indústria do entretnimento”, destaca Bevan.

Para o executivo, os exemplos ensinam o poder da importância da confiança e da coragem.

Dica 3: A convicção de ignorar as restrições de seu antecessor

Cineastas se esforçam em lugares inexplorados para alcançarem seus objetivos. Stanley Kubrick era assim e não gostava de imposições práticas. Jason Bevan explica que ele não pensava nas limitações enfrentadas por seus antecessores. O clássico “2001 – Uma Odisseia no Espaço” foi feito sem efeitos especiais. “Não é qualquer filme que pode dizer isso hoje em dia”, diz Bevan.

Kubrick utilizou um efeito prático para conseguir este efeito: a câmera ficava parada e o cenário girava (Reprodução/Youtube)

Christopher Nolan se inspirou em Kubrick e construiu cenários para “A Origem”, além de virar um caminhão para uma das cenas de Cavaleiro das Trevas. “Por isso seus filmes envelhecem tão bem”, diz Bevan. “Sabemos que boas ideias devem ser construídas e apoiadas, mas cineastas não desistem quando eles sabem que algo está certo. Eles se esforçam e esforçam todos ao seu redor para cumprir seus objetivos”.

Dica 4: A força da imersão

“Cineastas vivem suas histórias e seus produtos. O marketing de filmes é muito sobre mostrar o filme. Percebemos que para criar um marketing poderoso, precisávamos colocar nossa audiência nele”, diz Bevan dando exemplos de alguns trabalhos feitos na Warner.

Por exemplo, levar a audiência para o universo Harry Potter, fazer jornalistas e influenciadores serem Tom Cruise em “No Limite do Amanhã”, transpor formadores de opinião para o universo Tomb Raider, entre outros.

“Vimos o engajamento de conteúdo criado por quem participava crescer mais de 50%”, relembra.

Dica 5: Diversão produz mágica

Cenas de bastidores de Harry Potter (Reprodução/Youtube)

Por fim, Bevan relembrou que o elenco de Harry Potter poderia ser chamado genuinamente de família, o que gerou uma das franquias de maior sucesso de todos os tempos.

“Como fazer os sets um lugar feliz? Uma palavra: crianças”, relatou o executivo.

Para Bevan, a alegria dos bastidores acabou transcendendo e ficando perceptível na própria obra.

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