Desde o último dia 8, Rodrigo Bocardi tem apresentado o Bom Dia São Paulo, na TV Globo, em um cenário renovado. Da logomarca à vinheta de abertura, todos os recursos gráficos passaram por modificações, com paleta de cor própria em referência ao período do dia em que a atração é apresentada. Trabalho semelhante foi feito no SPTV 1ª Edição e SPTV 2ª Edição, que ganharam tonalidades mais escuras do padrão amarelo, laranja e azul, além de uma nova assinatura. Os jornalísticos passam a assumir as abreviaturas SP1 e SP2, eliminando referências à TV, o que pode demonstrar a busca por uma comunicação sem amarras. A interpretação é do professor Daniel Ladeira, coordenador do Centro Experimental de Jornalismo da ESPM.

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“Há uma reformulação da comunicação como um todo. A emissora mostra-se mais próxima do público, rompendo a barreira entre transmissor e receptor, bem como a forma com que o público consome informação”, argumenta.

Segundo Cristina Piasentini, diretora de jornalismo da Globo em São Paulo, o pacote de mudanças, após 34 anos, reflete o momento de transformações da sociedade. A executiva explica que as novidades visam modernizar a linguagem gráfica, transmitir informações mais precisas ao espectador e estreitar a relação com o público por meio de novos recursos.

“O principal deles é a tarja de informação, visualizada na parte inferior da tela, deixando a notícia acessível a todos: aos que estão em casa, mas sem conseguir sentar na frente da TV durante a exibição; aos que estão na rua, acompanhando do celular e sem conseguir escutar bem”, ela cita como exemplos.

O novo sistema de interatividade das atrações funciona com apoio de um telão que apresenta diversas camadas de informação: dados sobre clima, trânsito e condições do transporte público. Há ainda mais espaço para participações do público por meio do uso das hashtags dos programas em redes sociais. O conteúdo é reproduzido em uma timeline gigante touchscreen e lido pelos apresentadores.

Para Leticia Pettená, sócia da SAL, consultoria de gestão de marcas e branding, as mudanças são respostas claras ao mundo contemporâneo hiperconectado, que exige novas posturas das mídias. “Essa integração de plataformas força mudanças de identidade, não só no audiovisual. Todas as marcas precisam rever e se adaptar”.

Segundo a executiva, a Globo tem feito mudanças graduais em sua imagem, mas com cautela, para não gerar estranhamento no público. A mais recente delas foi feita na logomarca da emissora. A identidade gráfica ganhou ar mais clean, com menos sombreados e nuances de cor, seguindo tendência do flat design.

Com a renovação e padronização da identidade visual dos jornalísticos, a emissora agora mira no patamar de redes internacionais como BBC e CNN, como explica Letícia.

“A Globo News faz isso muito bem, essa ideia de sistematizar a identidade de cor e aplicar em todos os programas. A TV Globo antes era multimarca, cada atração tinha uma cara própria, mas desde a reformulação do esporte e linha de entretenimento, vem criando sistema unificado”, afirma.

Segundo a emissora, as mudanças em São Paulo são apenas o pontapé inicial e, dentro de um ano, serão levadas para as outras afiliadas do grupo.