Anistia Internacional e Africa Creative se unem para denunciar os impactos na educação com OOH no RJ

As instalações exibem materiais escolares que seriam usados em sala de aula, mas aparecem transformados em alvos de tiro, em referência às aulas canceladas por conta da violência

A Anistia Internacional iniciou uma série de intervenções urbanas no Rio de Janeiro para denunciar como operações policiais e confrontos armados têm comprometido o direito à educação no estado. A ação faz parte da campanha 'Educação no Alvo' e ocupa pontos estratégicos próximos à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério Público, locais de circulação de autoridades ligadas às áreas de justiça e segurança.

Criada pela Africa Creative, a iniciativa utiliza mobiliário urbano e peças de mídia out-of-home (OOH) para chamar atenção ao tema. As instalações exibem materiais escolares que seriam usados em sala de aula, mas aparecem transformados em alvos de tiro, em referência às aulas canceladas por conta da violência e ao impacto direto no aprendizado de milhares de estudantes.

A mobilização acontece em um momento decisivo do debate público sobre segurança no estado e busca evidenciar os reflexos concretos da violência na rotina de crianças, adolescentes, famílias e comunidades inteiras. A primeira fase da campanha foi exibida em um dos maiores painéis de OOH do país, localizado no Jardim de Alah, ampliando a visibilidade da denúncia sobre a interrupção recorrente do calendário escolar em áreas afetadas por confrontos.

Segundo a organização, o projeto cruza o calendário escolar de 2025 com registros de tiroteios no estado. A estimativa aponta que estudantes perderam cerca de 50 dias letivos no último ano devido a episódios de violência extrema, como tiroteios, ameaças e operações policiais.

A primeira fase da campanha foi exibida em um dos maiores painéis de OOH do país, localizado no Jardim de Alah, ampliando a visibilidade da denúncia (Imagem: Divulgação)

Ao ocupar espaços próximos a centros de decisão política, a Anistia Internacional busca reforçar que, em diversos territórios fluminenses, o funcionamento das escolas tem sido determinado pela dinâmica da violência, e não por diretrizes educacionais.

A campanha também inclui o documentário Cartas pela Paz, dirigido por Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger, em parceria com a organização Redes da Maré. No filme, crianças moradoras de favelas escrevem cartas ao Supremo Tribunal Federal (STF) relatando os impactos da violência em suas vidas.

Imagem do Topo: Divulgação