25 anos de Cannes Lions

Alexis Thuller Pagliarini, sócio-fundador da ESG4

Acabo de receber a confirmação da minha inscrição em mais um Cannes Lions Festival. E “descubro” que será a 25ª vez que acompanharei o maior festival de criatividade do mundo. Já estive por lá com diversos chapéus: como mero espectador, como palestrante (duas vezes), como organizador de encontros entre a comunidade brasileira e o CEO do festival e fazendo cobertura, agora por meio do nosso propmark.

Nos últimos anos, tenho também cumprido um papel de decodificar o evento e realizar um roadshow pelo Brasil, após o festival, numa parceria com o sistema Sinapro Fenapro. Nesses roadshows, apresento e comento os cases vencedores, os insights e as tendências, num trabalho de consolidação de diversas fontes, inclusive, logicamente, o report do próprio festival e a excelente cobertura do propmark.

Mais do que a premiação – superprestigiosa – e o rico conteúdo, o Cannes Lions Festival funciona como a consolidação de tendências ao longo do tempo. Quem acompanha de perto o festival volta de Cannes com insights e um arsenal de ideias para repensar seu negócio, suas campanhas, sua forma de atuar no mercado.

Como exemplo, eu cito a pegada ESG do festival. Mesmo antes de surgir a sigla, havia um bom número de inscrições de Jobs institucionais, ligados a ONGs, de cunho social. Havia, é verdade, críticas sobre prêmios obtidos por meio dessas campanhas, sabidamente criadas sem necessariamente um briefing e sem as limitações das campanhas de empresas ou produtos, focadas em critérios mercadológicos.

Essas campanhas continuam presentes nas inscrições e nas premiações, mas o que se vê agora são marcas se envolvendo com causas sociais e ambientais de forma mais natural, autêntica. Não para ganhar prêmios, mas para construir imagem sólida e consistente, em sintonia com as demandas da sociedade. Um exemplo é a categoria SDGs – Sustainable Development Goals (ou ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em português), criada em 2018 para estimular soluções criativas na busca pelos objetivos estabelecidos pela ONU, tendo 2030 como deadline. Nessa categoria, são aceitos trabalhos relacionados a cada um dos 17 ODS.

Ainda dentro da trilha de categorias focadas no social, há a Glass: The Lion for Change, que reconhece trabalhos criativos que abordam a desigualdade e o preconceito, representando e empoderando comunidades marginalizadas. Isso pode incluir, entre outros, pessoas com deficiência, pessoas negras e indígenas, refugiados, requerentes de asilo, pessoas deslocadas, grupos religiosos minoritários, grupos étnicos marginalizados, comunidades LGBT+, grupos socioeconômicos desfavorecidos e pessoas sub-representadas ou estigmatizadas na sociedade.

Independentemente dessas categorias, voltadas para os trabalhos ligados a uma causa, é comum termos jobs premiados também em outras categorias com essa pegada ESG. Na minha cobertura de 25 anos, costumo identificar o percentual de trabalhos vinculados aos princípios de ética e respeito socioambiental que conquistam premiações expressivas.

Há edições em que esses trabalhos superam a marca de 70% entre todos os premiados. Essa performance corrobora uma tendência de as marcas reconhecerem o seu papel para além de vender mais produtos e aumentar lucros. O estudo Trust Barometer, do Edelman Group, que pesquisa a confiança em instituições, atesta que apenas as marcas são consideradas confiáveis. Nem governos, nem ONGs, nem mesmo a mídia, são apenas as marcas que superam a linha de corte que define o nível de confiança.

Mas essa confiança vem com uma cobrança: espera-se que as empresas detentoras das marcas façam algo pela sociedade, além de comercializar bons produtos. É reconfortante constatar que, nesses 25 anos de Cannes Lions, a escolha pela atenção a ESG não estava errada. Bora lá pra mais uma cobertura!

Imagem do Topo: Divulgação