A creator economy chega ao C-level pelo LinkedIn

Por Tiago Ribeiro – especialista em estratégia, conteúdo e marketing digital 

Em 1450, quando Johannes Gutenberg aperfeiçoou a imprensa, o mundo não ganhou apenas uma nova tecnologia. Ganhou uma nova forma de construir reputações. Pela primeira vez, ideias podiam viajar mais rápido do que as pessoas. Nasci em 1987 e a TV, revistas e jornais eram os grandes formadores de opinião, na minha adolescência, vi nascer a internet, e eu era muito mais influenciado pelo Fotolog do que pelos meios tradicionais.

Lembro de personalidades como Amanda Lepore e Johnny Luxo construía reputação dentro do então Fotolog e músicas de bandas como Cansei de Ser Sexy, serem convidadas para ser trilha sonora de campanhas da Apple, ou seja, a reputação gerada nas redes sociais já gerava impactos financeiros relevantes naquela época.

E hoje, enquanto o TikTok Shop reformula a forma de consumir, nunca esteve tão em alta o poder de narrativas e de criar uma reputação. Nesse cenário surge um ativo muito importante para as empresas: o marketing pessoal dos executivos. Em um mundo onde as Digitally Native Vertical Brands (DNVB) ganham cada vez mais mercado, por conta de uma exposição muitas das vezes excessiva dos seus fundadores, as empresas tradicionais correm contra o tempo para capturar a atenção, e agora não somente de um mercado B2C, mas sim do B2B.

Reputação não nasce com frequência. Nasce da coerência.

É por isso que a obsessão por métricas de vaidade faz cada vez menos sentido. Um executivo que conversa semanalmente com um grupo qualificado de CEOs, investidores ou líderes do seu setor pode gerar muito mais impacto para um negócio do que alguém com centenas de milhares de seguidores. A relevância passou a valer mais do que a audiência.

Quem constrói uma narrativa consistente conquista confiança, e a creator economy entrou em uma nova fase, onde encontra a governança corporativa. No mercado B2B, ninguém toma decisões importantes por causa de um único post. Grandes negócios acontecem porque existe confiança. E confiança é construída ao longo do tempo, por meio de ideias, consistência e presença e agora isso acontece predominantemente no LinkedIn.

Durante muito tempo, a plataforma foi utilizada quase como um currículo em tempo real. Hoje, ela se tornou um espaço para liderança de pensamento. Empresas são representadas por pessoas. Marcas corporativas são fortalecidas pelas histórias de quem as lidera.

O LinkedIn está vivendo a mesma transformação que outras plataformas viveram anos atrás. O alcance continuará importante, mas será cada vez menos decisivo. No B2B, a influência deixou de ser sobre quem fala para mais pessoas, e passou a ser sobre quem consegue fazer as pessoas certas ouvirem você.

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