Diversidade cultural premiada
Vivemos um movimento de retomada da valorização das manifestações culturais brasileiras
O cinema brasileiro vive um momento de celebração e reconhecimento que vai muito além das estatuetas.
Depois da trajetória marcante de ‘Ainda Estou Aqui’ em importantes festivais internacionais, a consagração de ‘O Agente Secreto’ no Globo de Ouro, com prêmios em duas categorias, reafirma algo que nós, brasileiros, sempre soubemos: nossa cultura é potente, diversa e profundamente criativa.
O mundo apenas volta a enxergar aquilo que, por vezes, insistimos em negligenciar internamente.
Mais do que orgulho, esse momento simbólico ganha ainda mais relevância quando lembramos de um passado recente em que a cultura foi tratada com desdém, como algo de menor importância.
Um período marcado por ataques às políticas públicas de fomento, críticas rasas à Lei Rouanet e uma vi- são míope que reduzia a cultura a gasto, e não a investimento.
Felizmente, vivemos agora um movimento de retomada da valorização das manifestações culturais brasileiras, reconhecendo nelas não apenas expressão artística, mas identidade, economia e potência social.
Pela voz dos vitoriosos, que, além de talentosos, são também ativistas, Fernanda Torres, Walter Salles, Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e muitos outros de variados segmentos da cultura, vemos valorizada a nossa criatividade e diversidade cultural.
De fato, a diversidade cultural brasileira é um ativo raro. Fruto de uma miscigenação intensa — indígena, africana, europeia, asiática —, ela se manifesta de forma vibrante no cinema, na música, nas artes visuais, no artesanato, na literatura, na moda, no marketing e em tantas outras expressões criativas.
É o nosso famoso borogodó: algo difícil de explicar, mas impossível de ignorar. Essa força criativa sempre foi percebida no exterior.
Em minhas muitas idas ao Cannes Lions Festival, presenciei repetidas vezes o encantamento de estrangeiros diante da criatividade brasileira. Bastava você se apresentar como brasileiro em uma roda de estrangeiros e lá vinha uma expressão de admiração e reconhecimento. Não apenas pelos prêmios — que não são poucos —, mas pela originalidade, sensibilidade e ousadia das nossas ideias.
Não à toa, o Brasil figura constantemente entre os três países de melhor performance no festival e, em 2025, foi o segundo mais premiado, atrás apenas dos Estados Unidos.
Essa riqueza cultural transborda também para o universo do marketing, da comunicação e das experiências de marca.
A cultura brasileira inspira narrativas, ativa territórios, mobiliza emoções e transforma encontros em experiências memoráveis.
Na área do live marketing, eventos de todos os portes se apropriam dessa diversidade para atrair público, gerar negócios e fortalecer vínculos. Cultura, aqui, é linguagem econômica e social.
Embora seja difícil mensurar com precisão o quanto a cultura contribui para o PIB brasileiro, é inegável seu impacto no que poderíamos chamar de FIB — a Felicidade Interna Bruta.
A cultura gera prazer, pertencimento, autoestima coletiva e bem-estar. Ela humaniza, conecta e amplia horizontes. Em tempos de ansiedade, polarização e intolerância, isso não é pouco.
Esse cenário positivo faz um contraponto claro a movimentos globais preocupantes, em que governos autoritários tentam impor padrões únicos, sufocar expressões culturais e desvalorizar a diversidade como estratégia de poder.
A história mostra que esse caminho empobrece sociedades, limita a criatividade e enfraquece o futuro.
Que o Brasil siga na direção oposta. Que continue valorizando sua cultura, sua diversidade e sua capacidade criativa em 2026 e sempre.
Porque é nela que desenvolvemos um dos nossos maiores patrimônios: a possibilidade de construir um país mais sensível, plural, inovador e, sobretudo, mais humano e próspero para todos nós.
Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br