Lições do jiu-jitsu para os negócios
aHá quem diga que aprendemos errando, mas, no meu caso,
as maiores lições vieram do tatame
Empreender exige determinação, mas aprendi ao longo da minha trajetória empreendedora que tão importante quanto, é manter a paciência e saber o momento certo de tomar decisões.
Há quem diga que aprendemos errando, mas, no meu caso, as maiores lições vieram do tatame. Luto jiu-jitsu há quatro anos e é ali, no chão do tatame, que recebo os aprendizados mais valiosos para os negócios.
Mas eu não aprendi isso logo “de cara”. Quando decidi empreender, imaginei que a jornada seria feita, a princípio, apenas de coragem. Foi depois de algum tempo que eu encontrei na luta as respostas que eu precisava para agir dentro dos negócios.
Entre quedas, ajustes e respirações profundas, a disciplina dessa arte suave carrega princípios universais que moldaram minha forma de liderar, decidir e perseverar.
Neste artigo quero compartilhar algumas lições de como o jiu-jitsu me ajuda a vencer como empreendedor todos os dias.
Resiliência: aprender a levantar todas as vezes que for preciso. No jiu-jitsu, cair, ser finalizado e, principalmente, levantar, fazem parte da prática. No empreendedorismo, não é diferente. A cada obstáculo, percebi que não era o impacto da queda que determinava meu futuro, mas sim minha capacidade de reorganizar o pensamento, respirar e tentar novamente.
O tatame me ensinou a lidar as frustrações com mais resiliência e a transformar cada erro em informação, não em derrota.
Agir no tempo certo: atacar, recuar ou apenas esperar. Uma das grandes lições do jiu-jitsu é o timing. Você pode conhecer as técnicas, ter força e preparo, mas se atacar no momento errado, a oportunidade se perde e às vezes você se expõe mais do que deveria.
No empreendedorismo, entendi que não existe vitória na pressa, mas sim no entendimento do contexto.
Há momentos de expansão, de observação e de ajuste silencioso para se preparar. Paciência nos ensina a saber a hora certa de agir e, assim, se tornar um empreendedor que sabe diferenciar um movimento eficiente de uma decisão precipitada.
Tenha calma sob pressão: o poder de respirar quando tudo aperta. Quem já ficou encurralado em uma luta sabe que a pior coisa a se fazer é entrar em pânico.
Nessas horas, o controle emocional é o que abre espaço para pensar, encontrar brechas e virar o jogo. Crises chegam para todo tipo de negócio. O jiu-jitsu me ensinou que manter a calma é a estratégia mais valiosa, pois é a habilidade de proteger a própria ação, analisar cenários e tomar decisões mais assertivas.
Evolução contínua: ser melhor a cada dia. No tatame, ninguém escala a faixa da noite para o dia. A evolução que parece lenta é, na verdade, uma construção constante ancorada em disciplina e perseverança. E o que seria empreender se não acreditar nos pequenos avanços, valorizar os aprendizados diários e adquirir a consciência de que excelência é uma prática contínua?
Respeito e humildade: as bases de qualquer jornada. A luta ensina respeito ao professor, ao parceiro de treino, ao iniciante e ao mais experiente.
No mundo dos negócios, isso se traduz em conexões genuínas, na escuta ativa e na humildade necessária para aprender sempre, até mesmo - e arrisco a dizer principalmente - com quem acabou de começar.
Finalizo dizendo que o jiu-jitsu não transformou apenas meu corpo, transformou minha mentalidade. Foi no tatame que aprendi a cair sem medo, atacar com intenção, esperar com sabedoria e caminhar com disciplina.
Hoje, minha jornada no empreendedorismo - e no jiu-jitsu - continuam em processo de evolução, levo as lições do tatame para os negócios com a convicção de que os maiores triunfos acontecem quando a mente está afiada e o coração está firme, mesmo sob pressão.
Edson Alves é CEO da Ikatec