Os vários papéis do PR

Muito se fala que as agências de relações públicas deixaram para trás sua função principal como intermediárias entre as marcas e a imprensa. Essa é, no entanto, uma meia verdade. Obviamente, as empresas de PR ampliaram o seu escopo de atuação, passando a trabalhar com frentes como marketing digital, branded content, gestão de reputação e eventos, por exemplo, mas o princípio básico permanece.

É ainda a velha e boa assessoria de imprensa que, muitas vezes, os jornalistas procuram quando precisam de fontes para suas matérias ou checar fatos que nem mesmo a inteligência artificial pode confirmar. Também a divulgação de novidades dos clientes por meio do ‘disparo de releases’ continua, sim, sendo uma estratégia importante das agências para abastecer, com notícias, os veículos.

Não há dúvidas de que todo jornalista gosta de dar furos e descobrir histórias por si próprio. No entanto, estabelecer pontes e um relacionamento saudável com profissionais de PR é fundamental, observando sempre a ética e a isenção editorial, claro.

Nesta edição, o propmark traz o Especial Comunicação Corporativa que mostra como a relevância desse segmento cresceu em um cenário de polarização, pressão por transparência e velocidade das redes.

Segundo o ‘Censo das Agências 2025’, desenvolvido pela Abracom (Associação Brasileira das Agências de Comunicação), hoje há 1.013 agências e consultorias em operação no país e mais de 20 mil profissionais de comunicação em todo o Brasil. Além da assessoria de imprensa, os serviços incluem gestão de reputação, comunicação digital e social, produção de conteúdo, comunicação interna, gestão de crises, relacionamento com stakeholders, relações institucionais, pesquisas, eventos e apoio a agendas de governança e ESG.

A Abracom entende que em ano de eleições como 2026 os desafios se intensificam com a polarização do debate público, o risco de desinformação e o avanço da tecnologia. A reputação das marcas é ativo econômico, assim como a imagem pessoal dos executivos C-level das companhias - muitas agências fazem, inclusive, a gestão dos perfis dos clientes no LinkedIn.

Na publicidade, que trabalha essencialmente com construção de marcas, já há algum tempo o PR passou a ocupar lugar no pelotão da frente. Muitas vezes, os profissionais de relações públicas atuam desde a concepção de campanhas. Não à toa, grupos como o WPP e o Omnicom têm as próprias agências de PR.

Um levantamento realizado pela Motim indica que 7 em cada 10 empresas consultadas perceberam impacto positivo do trabalho de PR em 2025, com ganhos comunicacionais associados a awareness e branding e, para parte relevante das organizações, impacto direto no negócio.

A mesma pesquisa aponta também que nenhuma empresa que já utiliza o serviço pretende reduzir investimentos em PR em 2026 — com parcela indicando intenção de ampliar.  

Influencers

O mercado de influenciadores promete uma virada neste ano. No último dia 6 de janeiro, o governo federal sancionou a Lei n° 15.325, que regulamenta o exercício da profissão de multimídia. Ao mesmo tempo em que o marco jurídico tira os creators da informalidade, também aumenta a responsabilidade pelo conteúdo. A certeza dos especialistas é de que, a partir de agora, não dá mais para tratar o marketing de influência como algo amador.

Frase: “Editores de revistas são melhores comunicadores que os publicitários. Copie suas técnicas” (David Ogilvy).

Armando Ferrentini é publisher do propmark