Pós-Carnaval
O ano no Brasil começa depois do Carnaval. Esse pensamento tão repetido entre as pessoas tem de ser avaliado sob uma nova ótica. Obviamente, os negócios voltam a funcionar depois do recesso de Ano Novo da maioria das empresas. Varejo e comércio, praticamente, não param em nenhum momento.
Mas esse sentimento de que o ano inicia pra valer depois da maior festa carnavalesca do mundo tem um significado inconsciente e parece mesmo que impulsiona o mercado de uma maneira geral.
É no pós-Carnaval que o ‘bicho pega’ na publicidade. Logo, veremos resultados de concorrências de contas represados, bem como a abertura de novos processos por parte de anunciantes. 2026 promete ser um ano aquecido para a indústria publicitária, diante de um calendário recheado de megaeventos como a Copa do Mundo, as eleições e o Rock In Rio.
No entanto, antes de tudo isso, já no início do segundo trimestre, o mercado tem os próprios eventos que mobilizam agências, clientes, plataformas e marcas em geral na corrida pelos principais prêmios do setor.
Antes do maior dos maiores, o Cannes Lions, realizado em junho, na França - aliás, que será homenageada como o País Criativo do Ano -, março é mês de SXSW (South by Southwest), superconcorrido e consolidado como o principal evento global de inovação, onde todo mundo quer ir para ouvir algumas das mentes mais inquietantes da atualidade.
Na sequência, vem o D&AD, respeitado festival inglês que ocorre em Londres em maio e neste ano traz uma campanha provocativa: ‘Is creativity dead or alive?’. O propmark inicia em março uma série especial de videocast com os profissionais brasileiros que farão parte do júri da premiação, reverberando essa indagação mais importante do que nunca, afinal, vivemos a era da IA.
Nas agências, é o momento de afiar as garras para participar de mais concorrências e colocar tudo no lugar para dar o pontapé em um ano que se prenuncia aquecido em negócios, eventos e verbas publicitárias.
Do lado da mídia e dos anunciantes, além da realização da Copa e do Rock in Rio, territórios de conexão fértil com os consumidores, o país vive uma onda de brasilidade com a produção audiovisual verde e amarela em alta. As marcas que souberem tirar proveito disso de uma forma original saem na frente.
A matéria de capa desta edição traz uma análise sobre uma fatia de consumidores que o mercado precisa olhar melhor. São as pessoas 60+, que redefinem o envelhecimento com um comportamento completamente diferente de décadas anteriores, fazendo surgir o conceito dos novos ‘idosos’, conhecidos como Nolts (New older living trend), ou seja, indivíduos ativos, que empreendem, viajam e continuam a viver com vigor.
O fenômeno cultural se reflete na indústria criativa em áreas como o próprio audiovisual, com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, por exemplo, com 96 e 92 anos, que estão prestes a estrear o longa ‘Velhos bandidos’, filme em que interpretam assaltantes que pedem ajuda de jovens para roubar um banco.
E o número de brasileiros com mais de 60 anos continua aumentando - a projeção é que sejam 35 milhões até o fim deste ano, ou cerca de 16% da população. Em 2044, devem movimentar 35% do consumo nacional, cerca de R$ 3,8 trilhões.
É um público que envelhece bem, rejeita rótulos e está cada vez mais conectado nas redes sociais, mas a reportagem alerta que a realidade brasileira ainda traz grupos vulneráveis a manipulações, especialmente na internet. Vale a leitura!
Frase: “Tristezas não pagam dívida” (Armando Ferrentini).
Armando Ferrentini é publisher do propmark