Flavio Waiteman, sócio e CCO da Tech&Soul

Semana passada tive a honra de fazer parte do júri do The Indies do One Show. O One Show é um clube de criação global. Uma instituição sem fins lucrativos, mais preocupada com a qualidade do que é premiado e menos com a quantidade.

Tanto assim que criou um espaço especial para as agências independentes. Quem me colocou lá foi, em grande parte, o trabalho que fazemos todos os dias aqui na agência Tech&Soul há exatos nove anos.  O que significa muito para quem fundou uma agência do zero. Afinal, fazer parte de uma cultura vencedora em uma agência com tradição criativa é difícil. Fazer isso começando do zero é praticamente impossível, mas acaba acontecendo aqui e ali.

Na categoria The Indies, a maior parte do júri era composta de fundadores de agências independentes e o entusiasmo da turma era perceptível com o panorama futuro em que o gigantismo toma conta. Ser independente hoje é estar no zag. É fazer parte do bonde de David e surpreender os Golias de vez em quando. Entre nossos trabalhos inscritos, seis chegaram ao round 2 do One Show. Uma conquista. A maior parte deles foi premiada em outros festivais, como Clube de Criação, Fiap, Cannes e Lusófonos. Destaque para o projeto Art Hits, ação da B3 (Bolsa de Valores do Brasil) com Pinacoteca, Kondzilla e Spotify para aproximar a arte erudita da popular.

Detox Bet, para a Genial Investimentos e B3, que criou um jogo para combater o vício de jogar e de sobra oferecer educação financeira. Além de uma campanha para a revista Unquiet e Onçafari que enviava para superformadores de opinião uma revista queimada, para que elas sentissem também o cheiro de queimado que as onças sentiam, incentivando a doação. Entre as conversas que tivemos fora da sala de julgamento, um dos jurados me perguntou sobre o porquê de tantos trabalhos da agência para o setor financeiro. E daí precisei explicar para ele como esse segmento também se destaca no Brasil. Herança da época da dificuldade do sistema com a inflação gigantesca que tínhamos. Fizemos a transição do país do overnight para o país do Pix em pouco tempo e com algumas crises pelo caminho. E essas dificuldades permitiram que a indústria financeira brasileira também fosse criativa e inovadora.

Isso me fez refletir sobre a quantidade de talentos que temos no Brasil. Do futebol, passando pela publicidade e sistema financeiro. O primeiro cliente da agência foi o banco BTG, para o qual criamos o ‘Dê um BTG nos seus investimentos’. Criamos o slogan e, de quebra, um anunciante que passou a acreditar em publicidade e não parou mais de crescer. Logo depois, passamos a atender C6 Bank e já vão sete anos de colaboração.

Daí veio a própria B3, uma empresa com mais de 130 anos, com trabalhos superpremiados e onde já tivemos a honra de ganhar o prêmio do ano do Tinder, para a melhor campanha veiculada por lá. Youse Seguros também segue com a gente como plataforma de seguros líder no meio digital. Não sei, mas se fizerem as contas o segmento financeiro deve ser um importante player no investimento em marketing. É o país do futebol e da maquininha.

A vida precisa do oxigênio (O2) e outros elementos fundamentais, como carbono (C6), para existir. Fica a dica. E a vida, para ser vivida também precisa do setor bancário para ser desfrutada. Do cafezinho ao ônibus que a gente pega precisa de cartão. Real ou virtual. O Brasil dá um olé em criatividade na publicidade.

Em relação ao setor financeiro também tem sido superdisruptivo. Desde inovações fundamentais e que beneficiam 100% da população, com a democratização da segurança e acessibilidade, até mesmo a forma de investimentos onde o ESG deixou de ser uma promessa odara e passou a valer realmente como negócio.

A experiência em julgar o festival foi ótima e trago esse aprendizado para nosso time e os times de nossos clientes. Difícil mesmo foi explicar para o gringo que no Pix não tem nenhuma taxa e quem ganha é o país mesmo. E terminei com a pergunta básica: Você prefere débito, crédito ou vai de Pix?

Imagem do Topo: Divulgação