Troquei Leão por voto

Omar Caldas, estrategista criativo chefe da OCA Marketing

Durante mais de 20 anos de carreira, estive na criação de grandes agências como WMcCann, Ogilvy e FCB. Atuei como redator e também liderei equipes em campanhas para Chevrolet, Claro e Nestlé, entre outros grandes clientes. Então por que abrir mão do conforto de um mercado mais glamouroso para ir para o marketing político? Não foi por acaso. Foi escolha.

O mercado privado já não me dava mais aquele mesmo frio na barriga. Virou processo demais, aprovação demais e cada vez menos impacto real. Construção de marca virou exceção. E prêmio? Deixou de ser diferencial. Todo mundo disse que eu estava arriscando demais. E estavam certos.

Entrei em um novo mercado, sabendo que teria de construir minha carreira do zero. De novo. O marketing político tem uma régua diferente. É sobre construir reputação em tempo real, onde tudo é medido o tempo inteiro. Não existe prêmio de consolação ou segundo lugar. Ou você vence a eleição ou vence a eleição.

E foi exatamente esse tipo de pressão que trouxe de volta o frio na barriga. Aqui não é só sobre convencer alguém a comprar. É sobre convencer alguém a acreditar. Menos etapas de aprovação, mas com mais responsabilidade. Planejamento, criação e mídia têm um peso maior. E a narrativa é determinante. Aqui tudo é mais exposto. Mais real. Um deslize derruba. Um acerto pode virar o jogo.

E o trabalho de verdade está na rua, ajudando a decidir quem vai cuidar da saúde, da educação e da segurança de milhares, às vezes milhões de pessoas. E isso muda o peso do que você faz. Eu não deixei minha experiência para trás, trouxe comigo para a linha de frente inteligência de marca, criatividade, storytelling e o craft das grandes agências.

Porque o eleitor está cansado de discurso vazio, campanhas engessadas e promessas recicladas. É um mercado tradicional, sim. Mas com espaço para quem entrega de verdade. Hoje, estou construindo minha história com as campanhas de nomes como Alessandro Molon, Tabata Amaral e Deltan Dallagnol.

E também com a maior virada de um segundo turno do Brasil: 30 pontos percentuais em 15 dias, na eleição de Léo Moraes, prefeito de Porto Velho. Na publicidade tradicional, a gente constrói marcas que as pessoas amam. No marketing político, a gente constrói narrativas nas quais as pessoas confiam o próprio futuro.

O glamour dos prêmios internacionais ficou para trás. Hoje, meu Leão é a urna com uma vitória no domingo de eleição.