Pesquisa da ESPM mostra que maioria compartilharia fake news mesmo sem acreditar nela

Estudo aponta que confiança em quem envia a mensagem pesa mais do que a veracidade do conteúdo

Uma pesquisa conduzida pela ESPM identificou que mesmo sem acreditar que uma notícia falsa seja verdadeira, mais da metade das pessoas afirma que compartilharia ou comentaria o conteúdo com amigos e familiares.

O estudo, realizado com 914 participantes em três experimentos, mostrou que apenas 28,7% dos entrevistados consideraram uma fake news confiável. Ainda assim, 52,6% disseram que comentariam a mensagem com alguém próximo.

Segundo Eduardo Mesquita, professor da ESPM e coordenador da pesquisa, o comportamento está relacionado à confiança em quem envia a mensagem, e não necessariamente ao conteúdo em si.

“O problema não está na má-fé. Está no atalho mental que o cérebro usa quando confia em quem enviou a mensagem”, afirmou o pesquisador.

O levantamento também simulou diferentes origens para a fake news. Quando o conteúdo vinha de uma fonte considerada confiável, 59,9% declararam intenção de compartilhar. Quando a fonte não transmitia credibilidade, o índice caiu para 45,7%.

A pesquisa identificou três mecanismos centrais para explicar o fenômeno: transferência de credibilidade, atalhos cognitivos em ambientes de excesso de informação e compartilhamento motivado por boa intenção, especialmente quando a mensagem parece útil para amigos ou familiares.

Segundo o estudo, esse comportamento representa um risco direto para marcas e organizações, principalmente em setores como saúde, alimentos e bens de consumo. O material também alerta para o papel de figuras públicas e influenciadores digitais na disseminação involuntária de desinformação.

“A autoridade percebida é um ativo precioso, mas também uma vulnerabilidade”, afirmou Mesquita. “Quem tem audiência tem responsabilidade redobrada de verificar antes de compartilhar.”

A partir dos resultados, os pesquisadores desenvolveram uma cartilha de conscientização com orientações práticas para ajudar o público a identificar e interromper a circulação involuntária de desinformação.

Imagem do topo: Rich Tervet no Unsplash