Publicitário Haroldo Meira morre aos 65 anos
O publicitário Haroldo Meira faleceu nesta última quarta-feira (8), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele tinha câncer.
Meira atuava no mercado de Brasília. Começou sua carreira como office-boy da MPM. Recentemente, fundou a AV Comunicação. Também foi presidente do Sindicato dos Publicitários de Brasília.
O corpo de Meira está sendo velado na tarde desta quinta-feira, no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Leia abaixo texto em homenagem a Haroldo Meira, assinado pelo jornalista e publicitário Fernando Vasconcelos.
Coração maior que o corpo
por Fernando Vasconcelos*
“Amizade fica registrada no coração. Uma impressão subjetiva, mas que pode ser traduzida como tatuagem na alma: sempre reflete lembranças, que são eternas!
Desde que iniciou sua carreira como Office boy em 1967 na MPM, (agência de propaganda que chegou a ser a maior do país que Brasília havia tido nos anos 80), até os momentos atuais em que nos encontrávamos havia no ar o mesmo espírito: vencer e fazer o melhor daquilo que estivesse empenhado. Em nossas conversas nunca esqueceu, e sempre citava, os exemplos e as expertises do Luis Macedo, do Mafuz e do Petrônio Correa (nomes que deram origem à MPM), pelos quais manifestava grande respeito e profunda admiração.
Atingiu o sucesso profissional depois de desenhar muito sua história de vida. Tornou-se publicitário depois de conviver de perto com a arte de criar. Gostava tanto do que fazia que batalhou e conquistou o maior cargo dentro daquela agência, que teve um papel muito importante para o Mercado Publicitário da capital. Foi meu antecessor como Presidente do Sindicato dos Publicitários, no ano de 1983, num momento importante de mudanças para o reconhecimento e a regulamentação da profissão. Toda essa dedicação lhe rendeu o título de o melhor dos melhores como Publicitário dos 25 Anos do Prêmio Colunistas Brasília.
Bastante premiado, chefe “linha dura”, era conhecido por cobrar e lembrado por ensinar e ajudar a crescer quem ficasse sob seu comando. Exigente, impaciente e generoso, assim certamente será recordado por todos com quem conviveu. Um dia, uma de suas colaboradas me contou que a maior “chamada” que levou do “capitão Haroldo” resultou “na maior lição profissional de sua vida”. Um ser humano que tinha um problema de anatomia: seu coração sempre foi maior que o seu corpo quando se tratava de ajudar alguém que precisava do seu ombro e de socorro.
Filho de um radialista muito conhecido da cidade, deixou a agência no seu auge para se dedicar à campanha política de seu pai, Meira Filho, que se tornou o Senador mais votado na ocasião. Nasceu aí mais uma vocação do Haroldo, “marqueteiro político”. Em 1990 assumiu a Administração de Brasília. Nesta função deixou sua marca ao criar muitas coisas para a cidade. Destaque especial para o “Eixão do Lazer”, “Pontão do Lago Sul” e as “Prefeituras das Quadras do Plano Piloto”, herança eterna para quem já é Patrimônio da Humanidade.
Trabalhando arduamente em várias campanhas políticas, atuou como publicitário prestando serviço para o Governo do Distrito Federal por duas décadas e, há pouco tempo, em sociedade com Ronald Van de Kamp, estabeleceu a AV Comunicação.
A história do Haroldo Meira se confunde um pouco com a minha, pois batalhamos muito para conquistarmos a posição de analistas e consultores de uma categoria que cresce cada vez mais. Perdi a conta das vezes em que tive que interferir na vida pessoal desse querido amigo, para que sua rotina pudesse voltar aos “eixos”, momentos que todos enfrentamos diante das dificuldades naturais da existência humana. O comum entre nossas vidas fora que viemos nos estabelecer na mesma cidade, na mesma atividade, na mesma profissão, embora em casas e funções diferentes, mas atuando lado a lado.
Lembranças marcantes de bons momentos com esse cara me fazem entender que fiz a escolha certa. Perder é que é muito difícil! Depois de uma jornada de quase 40 anos juntos, a sensação que fica é que falta um pedaço. Pedaço da história, pedaço da amizade, pedaço do tempo, pedaço da vida, que segue devolvendo tudo que apostamos, que plantamos, que semeamos. Seus frutos certamente serão colhidos pelos filhos, netos, sócios, amigos, parentes, colegas, porque eu vi o quanto ele plantou, o quanto sofreu, o quanto apostou e o quanto semeou.
Esse foi o Haroldo Meira que conheci!
Haroldo Meira faleceu no dia 8 de maio, às 19h no Hospital Sírio Libanês em São Paulo. Sepultado no dia 09 de maio de 2013 no Cemitério Campo da Esperança – Brasília – DF.”
*Jornalista, publicitário e diretor da Meio & Mídia Cmomunicação