"Políticas de privacidade online demandam maior transparência"
Se no Brasil a discussão sobre privacidade online ganhou maior notoriedade nas últimas semanas ao impactar diretamente dados sigilosos do governo e da própria presidente Dilma Rousseff, na Europa essa discussão ganha cada vez mais relevância na atuação de agências e anunciantes diante do ambiente digital. Nesta quarta-feira (18), em Londres, a consultoria de privacidade online Truste reuniu especialistas para discutir a transparência das práticas adotadas pelas marcas e seus parceiros, bem como o impacto delas perante o público geral.
“O papel do nosso modelo de negócios não é bem entendido e depende de nós mostrar como ele funciona, bem como seu valor econômico”, declarou Nick Stringer, diretor de relações regulamentais do IAB (Internet Advertising Bureau) do Reino Unido e líder da EDAA (Europe Interactive Digital Advertising Aliance), entidade responsável pelas práticas de autorregulamentação da publicidade online na Europa. Apesar de enxergar uma boa evolução nesse caminho, o executivo destacou que ainda há muito mais a ser realizado para garantir tal entendimento e transparência nos processos.
Vice-presidente de marketing da Truste, Dave Deasey apresentou uma pesquisa indicando que a privacidade é o fator mais importante para 20% dos usuários de dispositivos mobile. Para os demais respondentes, ele aparece sempre na segunda posição, perdendo apenas para a preocupação com a duração da bateria. De acordo com o levantamento – válido para o mercado britânico –, 37% dos respondentes disseram checar se os aplicativos baixados possuem uma política de privacidade clara antes de dividir informações pessoais.
Privacidade social
O evento aconteceu no mesmo dia em que o Facebook anunciou mudanças em suas restrições, permitindo jovens de 13 a 17 anos para publicar posts livremente. A rede social preparou medidas de proteção para realizar a mudança, mas elas não foram bem aceitas por pais e especialistas.
Para Kathryn Montgomery, professora de comunicação da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a decisão pode ter impacto negativo para o público envolvido, já que adolescentes tendem a assumir riscos e, muitas vezes, não conseguem mensurar as consequências de pequenos atos. “A decisão do Facebook tem seu próprio modelo de negócios como base. Permitindo que os jovens dividam mais sobre eles mesmos, fica mais fácil aos anunciantes coletarem dados sobre os menores de idade, que ignoram o fato de que seus interesses estão sob um microscópio digital”, analisou.
*com informações da Marketing Week e da Associated Press