Decisão do Grupo Estado envolve fim de parceria na frequência 107,3 e adaptação para novos formatos
Nesta quinta-feira (23), o Grupo Estado confirmou o encerramento da operação da Rádio Eldorado na frequência FM. A transmissão será encerrada no dia 15 de maio, após quase 70 anos no ar.
Fundada em 1958, a Eldorado consolidou sua reputação como uma emissora voltada à curadoria musical e ao jornalismo cultural, com participação de nomes como Jô Soares, Fernanda Young e Rita Lobo.
Segundo a empresa, a decisão ocorre em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, responsável pela frequência 107,3 FM, e também reflete mudanças estruturais no consumo de áudio.
Em comunicado, o grupo afirma que “o crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais. Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio”.
Nos últimos anos, o Estadão intensificou a produção audiovisual, ampliou sua atuação em redes sociais e reforçou sua estrutura com a aquisição da NZN, em 2025. A operação também passou a contar com um hub de criação voltado ao desenvolvimento de novos formatos.
Os funcionários da Rádio Eldorado
A companhia informou que realiza estudos para o reaproveitamento de parte da equipe em outras áreas do grupo. A emissora reúne cerca de 60 profissionais entre funcionários, técnicos e colaboradores.
"O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que
construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade", declara a nota.
Apesar do fim da operação no dial, a marca Eldorado será mantida. Programas como Som a Pino e Clube do Livro devem ser reformulados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital.
Veja o comunicado na íntegra:
"A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade.
Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais.
Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio.
Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo. Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo.
A aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.
O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo.
O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade".