Renascimento

À medida em que começamos a vislumbrar uma saída da maior pandemia
da história moderna, é inevitável pensar nos reflexos dessa experiência traumática. Devemos encarar toda e qualquer experiência como uma oportunidade de aprendizado e evolução. E é com esse espírito que me ocorreu escrever este artigo.

De uma boa reflexão, surgiu um paralelo com o Renascimento. Aquele, ocorrido na Europa, de meados do século 14 até o fim do século 16. O tal Renascimento marcou uma transição de um período “das trevas”, de Teocentrismo, para um outro de Humanismo e, principalmente, de Antropocentrismo. Ou seja, passou-se a colocar o homem no centro de tudo.

Foi um período também marcado pelas descobertas, pela ampliação de horizontes. Inevitável ver semelhanças com os dias atuais. Depois desse período de trevas e de sofrimento de muitos, durante a pandemia, o homem agora deve viver um novo Renascimento. Fascinado pelo desenvolvimento frenético, estávamos meio que entorpecidos pelas telas mágicas da explosão digital e pelos números hipnóticos dos algoritmos.

E, de repente, esse mesmo homem foi obrigado a voltar-se para si – um novo antropocentrismo – e questionar os caminhos do desenvolvimento humano. O homem teve de acionar um freio de arrumação para poder superar a adversidade e sobreviver.

E aí vieram novas descobertas. Obrigado a experimentar novas formas de trabalhar e se relacionar, descobriu que a criação de espaços enormes de trabalho, para onde todos vão para cumprir suas tarefas profissionais do dia a dia, talvez não seja mais necessária.

Boa parte das pessoas conseguiu cumprir as suas funções com a mesma – ou
até maior – produtividade, sem sair das suas casas. E, que maravilha, sem precisar de passar pelo perrengue diário de horas no trânsito para se deslocar da casa para o escritório e vice-versa. Salas de reuniões pomposas passaram a ser consideradas supérfluas, quando comparadas aos ambientes do Zoom ou do Teams.
O novo renascimento deverá ser marcado pela valorização dos encontros profissionais presenciais, que vão ser ansiosamente aguardados como um momento excepcional.

As reuniões do dia a dia, as interlocuções burocráticas e banais deverão ser cumpridas por intermédio das telas que já fazem parte das nossas vidas. Mas os eventos presenciais, quando possível, serão momentos realmente especiais.

Em recente evento virtual, organizado pelo FAS Advogados, perguntei a presidentes de duas empresas emblemáticas se achavam que, com a simplificação das interlocuções e interações virtuais, os eventos do tipo convenções de vendas deixariam de ser presenciais. Ambos foram enfáticos em valorizar esses encontros presenciais.

Para Pedro Passos, fundador e copresidente do Conselho da Natura, esse tipo de evento é um momento mágico para a empresa e é essencial para a motivação do time. Ele espera que os eventos presenciais voltem logo. Já para o CEO da moderna Rappi, Sergio Saraiva, os eventos têm uma energia insubstituível e nunca deixarão de existir.

Na opinião dele, esse tipo de evento presencial volta com força. O novo renascimento deverá encarar o encontro presencial como algo realmente especial. O banal deverá ser cumprido pelo intermédio de telas, mas o extraordinário será tratado de forma especial, presencial.

Nas relações entre pessoas – físicas e jurídicas – deverá haver mais empatia e sensibilidade, com o entendimento de que as soluções devem ser boas para todos e não só para alguns.

Já para o local de trabalho, esse novo período deve consolidar o conceito
de anywhere office. Ou seja, o seu escritório será onde você estiver. Na sua casa, num café, num espaço de eventos ou anywhere…

A propósito, nós, do time da Ampro, já adotamos esse regime definitivamente. Pois bem, que uma nova era renasça e traga mais felicidade para a humanidade. Estamos precisando!

Alexis Thuller Pagliarini é presidente-executivo da Ampro (Associação de Marketing Promocional) alexis@ampro.com.br