Suba revela perfis de torcida no Brasil e alerta marcas para erro estratégico na Copa 2026
Levantamento analisou 5,7 mil vídeos no TikTok e mostra que marcas precisam adaptar campanhas esportivas às diferenças regionais para evitar desperdício de verba
Enquanto muitas marcas aceleram campanhas nacionais para ativações esportivas no segundo semestre, uma nova pesquisa indica que tratar o torcedor brasileiro como um público homogêneo pode comprometer resultados e desperdiçar investimentos. O estudo ‘Brasil: O País do Torcedor’, desenvolvido pela Suba, mostra que o país reúne cinco formas distintas de torcer, com comportamentos regionais próprios no ambiente digital.
A análise mapeou 5.745 vídeos publicados no TikTok entre janeiro e abril de 2026, produzidos por criadores de grande audiência nas cinco regiões do Brasil. Segundo a empresa, trata-se de um levantamento inédito em escala e profundidade sobre o comportamento do fã de futebol nas plataformas de vídeo curto.
Para chegar aos resultados, a Suba utilizou uma metodologia proprietária baseada em três frentes: análise semiótica, NLP (Processamento de Linguagem Natural) e etnografia digital. O sistema avaliou variáveis como sentimento, intensidade emocional, polarização, uso de gírias regionais, frequência de comentários táticos e dinâmica entre rivais. O estudo também identificou seis arquétipos de criador-torcedor: o Memeiro, o Analista, o Fanático Raiz, o Narrador Performático, o Torcedor-Ator e o Influencer Lifestyle.
Entre os principais recortes regionais, o Nordeste aparece como a região mais tática do país, com frequência de análise esportiva 3,5 vezes acima da média nacional. Termos como “pressão alta”, “diagonal” e “posse de bola” surgem com recorrência. No Sudeste, o destaque é o humor: 71% dos conteúdos têm tom irônico, ante 11% nas demais regiões. Segundo o levantamento, referências pop, zoação e metalinguagem são formas predominantes de expressar paixão pelo futebol.
No Sul, a rivalidade clubística aparece como principal combustível de engajamento, com mais de uma menção ao adversário por vídeo — maior índice nacional. Além disso, camisas oficiais aparecem em 28% dos conteúdos analisados.
Já no Norte, o futebol surge ligado ao pertencimento regional. A região registrou o menor sentimento positivo da amostra, combinado com a maior taxa de polarização, indicando que o esporte também funciona como expressão de identidade local.
O Centro-Oeste foi classificado como a região que mais se aproxima da média nacional, sem extremos comportamentais. Também apresentou a maior presença física nos estádios, com 11,7% dos conteúdos gravados em arenas esportivas.
"O estudo traz uma clareza importante para marcas que querem trabalhar o esporte de forma mais assertiva. E grande parte dessa clareza vem do método: cada vídeo foi dissecado em múltiplas camadas: áudio, OCR, análise de cena, sentimento e intensidade emocional. Não assistimos aos vídeos, nós os destrinchamos. Foram milhares de vídeos distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, O que emergiu foi um mapa preciso, regional e comportamental. Marcas que tratarem o Brasil como se fosse um país de um único torcedor vão desperdiçar verba e oportunidade ao mesmo tempo", declara Maílson Dutra, VP de data & performance da Suba.
"A Copa cria uma janela de unidade nacional genuína — mas com prazo de validade. Saber quando o país está unido e quando ele volta às suas identidades regionais é o que separa uma estratégia que dura o torneio inteiro de uma que dura só a fase de grupos", afirma.
Imagem do Topo: Magnific