Um em cada quatro executivos já se arrependeu de post pessoal, aponta pesquisa

Levantamento realizado  pela Soul HR Consulting revela receio de impactos na carreira

Um levantamento inédito da Soul HR Consulting indica que a exposição pessoal segue sendo um tema sensível entre executivos.

A pesquisa ouviu mais de 110 lideranças C-level e mostra que, embora 91% dos entrevistados afirmem manter um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o comportamento na prática revela cautela e autocensura.

De acordo com o estudo, mais da metade dos executivos (55%) admite já ter ultrapassado o limite ao falar sobre a própria vida pessoal no ambiente de trabalho. O índice é semelhante entre os gêneros, com 52% dos homens e 40% das mulheres relatando situações desse tipo. Ainda assim, a maioria segue avaliando positivamente sua capacidade de dosar exposição e discrição.

O receio de possíveis impactos profissionais aparece de forma consistente ao longo do levantamento. Entre os entrevistados, 86% afirmam que já deixaram de se expressar ou de compartilhar vulnerabilidades por medo de prejuízos na carreira, o que reforça a percepção de que o ambiente corporativo ainda não é visto como um espaço seguro para manifestações pessoais mais sensíveis.

“Os dados mostram que muitos executivos ainda vivem um dilema entre ser autênticos e se proteger. Existe a intenção de se posicionar de forma mais humana, mas o receio de interpretações equivocadas ou impactos na carreira leva à autocensura", comenta Lucia Costa, sócia da Soul HR Consulting e responsável pelo levantamento.

"No fim, o equilíbrio não está em se expor mais ou menos, mas em ter clareza e intenção sobre o que desejar compartilhar, quando e o porquê compartilhar”, completa ela.

Exposição da vida pessoal

Na contramão de discursos que incentivam maior abertura emocional por parte das lideranças, 46% dos respondentes consideram que a exposição de informações pessoais pode ser prejudicial à trajetória profissional. Apenas 11% enxergam algum ganho nesse tipo de abertura, e somente 1,25% acreditam que a exposição pessoal contribui de forma significativa para o crescimento na carreira.

Apesar do receio, o estudo mostra que punições formais são pouco frequentes. Apenas 7,5% dos executivos relataram já ter recebido feedback negativo explícito sobre a exposição de aspectos pessoais, o que sugere que os limites são impostos mais por normas culturais implícitas do que por regras claras ou sanções diretas.

Um em cada quatro executivos (25%) afirma já ter se arrependido de publicar algo pessoal nas redes sociais por causa do trabalho, reforçando a prática de autovigilância entre o que é público e o que deve permanecer no âmbito privado.

Imagem do topo: Nathana Rebouças/Unsplash