Uma comunidade global de educadores para a indústria criativa

Emmanuel Publio Dias, professor da ESPM e coordenador do Young Lions Brasil

ÍNDICE

Desde que frequento o Festival de Cannes (e lá se vão 3 décadas+), acompanhei muitas mudanças no formato, público, patrocinadores e organizadores. Nunca deixou de ser um lugar de consagração criativa, antecipação de tendências, o mais agradável local de networking e celebração da indústria. Além disso, venho notando, há anos, um propósito explicito de se tornar também uma comunidade de ensino e aprendizado. Neste ano, sinto que Cannes Lions consolida um novo papel: o de plataforma permanente de aprendizagem e difusão de conhecimentos da indústria criativa global.

Desde 2019, sob a inspiração e liderança de Steve Latham (líder da área de Learning do LIONS), existe um grupo de acadêmicos que vem se encontrando anualmente em Cannes e participando de atividades ligadas ao setor. Este ano, o programa se consolidou ao estruturar o LIONS Educators Forum, iniciativa internacional voltada especificamente para professores, coordenadores, pesquisadores e instituições de ensino em todas as áreas cobertas pelas diversas categorias do Festival. Mais do que um conjunto de palestras, trata-se da criação de uma comunidade global permanente de educadores conectados ao ecossistema criativo contemporâneo.

O movimento acontece num momento de reorganização profunda do trabalho criativo em escala mundial. A inteligência artificial acelera processos, automatiza tarefas, reorganiza fluxos produtivos e modifica radicalmente a forma como marcas, agências, creators, meios e plataformas operam. A formação profissional deixa de ser apenas técnica e passa a exigir repertório cultural, pensamento estratégico, capacidade crítica, visão sistêmica e domínio das novas ferramentas tecnológicas.

É exatamente aí que o Educators Forum se torna relevante.

Historicamente, a publicidade brasileira construiu enorme reputação criativa internacional. O país formou gerações de redatores, diretores de arte, planners e profissionais reconhecidos globalmente, campeões indiscutíveis na caça aos Leões de Cannes. Um novo cenário já está configurado, no qual a transformação digital, a fragmentação de mídia, as plataformas, os creators e a IA podem alterar rapidamente as bases dessa liderança.

E tudo acontece em escala mundial. Nenhuma escola consegue acompanhar isso sozinha.

A criação de uma comunidade internacional de educadores ligados diretamente ao principal ecossistema criativo do mundo, pode representar uma oportunidade rara para o ensino brasileiro de publicidade, comunicação, marketing e desenvolvimento de negócios.

O ponto mais importante da iniciativa está menos no discurso institucional e mais no que efetivamente está sendo oferecido aos docentes do Brasil e de todo o mundo. Segundo a apresentação do projeto, realizada num webinar nesta última sexta-feira, o Educators Forum pretende construir:

• uma rede global de educadores da área criativa;

• acesso direto a líderes da indústria discutindo o futuro da educação;

• sessões curatoriais presenciais em Cannes;

• acesso a trabalhos premiados, conteúdos e case studies;

• participação na construção de padrões globais para educação criativa;

• preparação de estudantes para carreiras de longo prazo nas indústrias criativas.

E o melhor: a iniciativa não foi pensada apenas para quem consegue ir fisicamente a Cannes. O próprio “call to action” apresentado pelo LIONS no webinar deixa isso bastante claro: entrar na comunidade internacional do Educators Forum, participar das discussões, colaborar com feedbacks e, quando possível, participar presencialmente dos encontros em Cannes.

A ideia central não é apenas transmitir conhecimento, mas construir uma comunidade global ativa de professores conectados entre si e também com a indústria criativa internacional.

O ecossistema LIONS vem se expandindo nessa direção. A plataforma LIONS Learning já opera cursos, MBAs, programas de aceleração e conteúdos especializados, além de promover eventos específicos de aprendizado e participação, como o Young Lions e a Roger Hatchuel Academy. O movimento sugere algo maior: o festival deixa de ser apenas um evento anual e passa a atuar como infraestrutura global permanente de aprendizagem para a indústria criativa.

Para os professores brasileiros — especialmente numa área em que muitos têm dificuldade de acesso às fontes geradoras de conhecimento —, fazer parte de uma rede internacional que está discutindo, em tempo real, o futuro da formação criativa torna-se uma oportunidade imperdível.

NOTÍCIAS MAIS LIDAS

publicidade

publicidade

Inscreva-se para receber as últimas atulizações

Fique por dentro das novidades do mercado publicitário

Leia Também