Os primeiros registros de algo próximo ao trabalho da imprensa são de 59 a.C., quando Júlio César ordenou a criação da Acta Diurna, uma publicação oficial do Império Romano exposta em locais públicos com notícias do dia. As informações iam das conquistas militares aos nascimentos, casamentos e novas leis, e para produzi-la, os chamados Correspondentes Imperiais eram enviados às províncias do Império. Não à toa, a história é associada à origem do jornalismo.
Atualmente, a importância da imprensa é reconhecida pela Lei nº 9.831 e nesta segunda-feira (1º), celebra-se o Dia da Imprensa no Brasil. A data, anunciada pelo Senado em 1999, marca o lançamento do Correio Braziliense, em 1808, que embora impresso fora do território nacional, em Londres, era editado por Hipólito José da Costa e é considerado “o primeiro jornal genuinamente brasileiro”.
Entre a Acta Diurna e o Correio Braziliense são quase dois milênios, marcados por muitas transformações no exercício da atividade, mas também pela mesma premissa de registrar e informar. Para isso, alguns pilares seguem básicos: ética, apuração e checagem de informações.
Com os saltos tecnológicos, os meios de comunicação foram se renovando, o impresso e a televisão dividiram espaço com sites e portais, e a evolução continuou até a chegada das redes sociais, que redefiniram a velocidade e o volume de informações. Nesse novo cenário, porém, nem sempre as fontes são jornalísticas. A nova era, inclusive, inaugura uma nova figura no ecossistema de comunicação, os criadores de conteúdo digital.
Há quem pense que, com tanta gente falando sobre tudo ao mesmo tempo, a relevância da imprensa estaria abalada, mas profissionais da área e lideranças de veículos não hesitam em declarar que o jornalismo nunca foi tão importante. Afinal, nem tudo que está publicado é necessariamente correto, e o volume de informações ampliou também o espaço para a desinformação. É aí que os pilares do jornalismo ético — como a apuração e a checagem — se tornam ainda mais essenciais. “Nunca houve tanta produção de conteúdo e, ao mesmo tempo, nunca foi tão valioso ter marcas capazes de gerar confiança”, resume Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo do Estadão.
Um levantamento do ‘Digital News Report 2025’, publicado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, ajuda a ilustrar: 58% das pessoas se mostraram preocupadas com a dificuldade de distinguir verdade de mentira online. No mesmo levantamento, quando precisam verificar uma alegação suspeita, 38% dos entrevistados recorrem a uma fonte de notícias em que confiam. Paulo Samia, CEO do UOL, reforça que apesar de a tecnologia amplificar o acesso à informação, ela também intensifica o desafio de distinguir “fato de opinião, apuração de especulação e conteúdo confiável de desinformação”.
Esse valor encontra respaldo no comportamento do próprio público. Em estudo da Locaweb realizado em celebração ao Dia Mundial da Internet, 42% dos brasileiros apontam sites e blogs como suas principais fontes de informação, mesmo num contexto dominado por feeds algorítmicos. Profundidade é apontada como principal vantagem por 68,4% dos entrevistados, seguida de credibilidade (61,8%) e organização da informação (51,2%).
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 01 de junho.

