Veículos renovam linguagem para falar com os jovens das gerações Z e Alpha

Além de portais como g1, revistas como Elle, Billboard e Capricho apostam em redes, curadoria editorial e experiências impressas, mostrando que o jovem consome jornalismo

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Que atire a primeira pedra o jornalista que nunca escutou que o jovem de hoje não lê mais. O discurso recorrente é causado principalmente pela discussão sobre a hiperconexão das gerações mais novas. Atualmente, 99% dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos têm perfil em ao menos uma plataforma digital, passam em média quase quatro horas por dia nas redes e, ainda assim, 46% consomem notícias diariamente, segundo o Painel TIC 2025.

Talvez a média não anime de primeira, mas é importante lembrar que hoje a notícia também chega pelo feed, pelo vídeo curto, pelo grupo de WhatsApp e, claro, pelo resultado da própria busca. O levantamento mostra que as principais fontes de informação diária entre jovens de 16 a 24 anos são redes sociais, com 65%; aplicativos de mensagem (49%); rádio e TV, com 43%; e jornais e revistas, alcançando 25%.

Uma pesquisa do Reuters Institute realizada em 2025 reafirma o cenário, e 39% do público de 18 a 24 anos afirmou usar as redes sociais como principal fonte de notícias. Em resumo, o jovem não necessariamente parou de se informar, apenas não acessa mais a imprensa de uma única maneira, e é nisso que os veículos precisam prestar atenção se querem alcançar este público.

O g1, que completa 20 anos em 2026, publica cerca de 11 mil conteúdos por mês em plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, adaptando linguagem e formato a cada rede, por exemplo. Essa adequação acabou aproximando o veículo de leitores da geração Z e Alpha.

“Acreditamos que o jovem segue interessado em se manter informado, valorizando a notícia em tempo real, consumindo múltiplas plataformas ao mesmo tempo, com formatos e uma linguagem mais direta, sem abrir mão da credibilidade e da isenção. Nesse contexto, o jornalismo profissional reforça seu papel, e o g1 se destaca como um importante elo nessa conexão”, comenta a equipe de comunicação do portal.

A editoria de jogos, que conta com atividades interativas, como o ‘labirinto’, cresceu 55% em visualizações em 2025, enquanto educação e entretenimento figuram entre as de maior interesse jovem. Projetos como o podcast ‘g1 ouviu’ e ‘O assunto’ também se tornaram uma ponte para interação e aproximação do veículo com o público.

“Talvez a pergunta não seja ‘o jovem lê?’, mas ‘o jornalismo está conseguindo falar a língua dessa audiência sem simplificar demais as coisas?’”. A reflexão, de Andréa Martinelli, editora-chefe da Capricho, mostra que para veículos que dialogam diretamente com esse público, a missão não é muito diferente, mas a presença nas plataformas não basta de nada se o diálogo não evoluir junto. No veículo, por exemplo, assuntos que fazem sentido para a vida da audiência, como saúde mental, política, identidade, comportamento e direitos, costumam gerar mais engajamento.

“A gente adapta formatos, mas sem tentar ‘imitar’ uma geração. Acho que os jovens percebem rapidamente quando uma marca força uma conversa. Nosso trabalho é acompanhar transformações culturais sem perder identidade”, explica a editora. Para ela, “existe uma tendência histórica de tratar adolescentes e jovens como um público desinteressado ou superficial, quando, na prática, eles estão discutindo temas complexos o tempo inteiro”.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 01 de junho.

Bruna Nunes
Bruna Nunes
Repórter
bruna@propmark.com.br

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