Nova régua em Cannes

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Por Armando Ferrentini, fundador do propmark

O Cannes Lions International Festival of Creativity 2026 está batendo à porta. A uma semana do início da maior premiação da indústria publicitária global (que ocorre de 22 a 26, na França), o mercado brasileiro aguarda com ansiedade (e certa apreensão) o anúncio de shortlists. A expectativa para emplacar finalistas nunca foi tão grande – afinal, este é o primeiro ano após a organização do festival estabelecer os novos padrões de integridade para inscrição de peças.

Criadas em virtude do escândalo do Grand Prix ‘Efficient way to pay’, campanha feita para a Consul pela extinta DM9, que teve o prêmio cassado e abriu uma crise sobre a suspeita da legitimidade de outros cases, as novas regras chegam para reeducar o mercado.

Como diz o documento do Cannes Lions, o objetivo é “trazer um modelo renovado de responsabilidade, rigor e confiança para a excelência criativa”.

As novas regras criaram um problemão para as agências brasileiras e ao redor do mundo. Inscrever peças em Cannes nunca foi tão difícil quanto neste ano. A “reclamação” é geral. Há muitas novas exigências, processos que antes não existiam para comprovação da veracidade das campanhas, com camadas de dificuldades e novas cláusulas para aprovações de clientes e responsáveis, por exemplo.

Após a inscrição feita, o sentimento não era só o de aguardar o resultado da divulgação das shortlists – mas também de torcer para que a documentação do case tenha sido aprovada pela organização e atendido aos novos critérios obrigatórios.

Trecho do handbook do Integrity Standards do Cannes Lions reitera as medidas de responsabilidade (com um certo grau de ideia de moralização): “Cada inscrição deve representar trabalho real, criado para clientes reais, com resultados reais. Sem fabricação, sem exageros, apenas impacto genuíno que mereça”.

Se antes pairava no ar a dúvida de campanhas fantasmas ganharem (diversos) Leões, isso agora certamente acabou ou ao menos ficou mais difícil de acontecer. Vai ficar muito mais engenhoso “fabricar” cases para conquistar prêmios. O manual de integridade do Lions está disponível para download gratuito no site do festival.

O propmark traz nesta edição o especial Cannes Lions, apresentando os highlights da programação da 73ª edição e entrevistas exclusivas com o CEO e o chairman do festival, Simon Cook e Philip Thomas. Cook reforça que o movimento é global e que a introdução de Padrões Globais de Integridade teve como objetivo definir a responsabilidade criativa para uma nova era.

“Uma era definida não pelo que a criatividade pode fazer, mas pela capacidade dos sistemas que a cercam em toda a indústria de sustentar seu valor, verificar suas alegações e manter sua integridade”, declarou ele.

Na última quinta-feira (11), Cannes divulgou a lista com os finalistas em três categorias: Glass, Titanium e Innovation. O Brasil conseguiu emplacar dois trabalhos na shortlist de Glass. A Artplan, do Grupo Dreamers, concorre com ‘Nigrum corpus’, desenvolvido para Idomed e Instituto Yduqs. O outro finalista brasileiro é ‘Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro’, criado pela Beta Collective para L’Oréal Luxe. Coincidência ou não, são dois trabalhos com temáticas raciais.

Propmark em Cannes desde 1971
Além do site novo desde o último dia 21 de maio, data de aniversário dos 61 anos deste veículo, entrou no ar também o hotsite especial com a cobertura do propmark no Cannes Lions 2026. O time de jornalistas in loco vai trazer todos os resultados de prêmios, os principais acontecimentos e conteúdo inédito.

Armando Ferrentini
Armando Ferrentini
Fundador
aferrentini@propmark.com.br

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