A evolução tecnológica, a ascensão das plataformas digitais e a pressão crescente por resultados de curto prazo transformaram profundamente o papel dos profissionais de mídia nas agências. Para Nathalia Oliveira, co-CMO da Africa Creative, o profissional de mídia já não atua apenas na etapa final da execução das campanhas. Hoje, ele participa desde a construção da estratégia até a análise dos resultados de negócio. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios complexos relacionados à formação de talentos, à dependência das grandes plataformas e à necessidade de equilibrar performance, criatividade e visão de longo prazo.
“O profissional de mídia deixou de ser o último da fila para se tornar essencial em todas as etapas do processo. Ele precisa conhecer profundamente o target, os mercados, a concorrência, para contribuir com a estratégia no momento do briefing, ter insights criativos para novos formatos e canais, garantir a operação técnica e ainda cruzar resultados de campanha com resultados de negócio.”
Apesar da crescente demanda por visão estratégica, ela avalia que o mercado ainda enfrenta dificuldades na formação desses profissionais. Na sua visão, as plataformas digitais assumiram grande parte do processo de capacitação, mas com foco predominantemente operacional. “Os profissionais vivem em cursos, têm a sensação de que estão se desenvolvendo, mas são cursos de operação, não de fundamentos. Os conceitos mais transversais de mídia, aqueles que independem de ferramenta, estão deixando de ser ensinados. Técnica sim, mas só até certo ponto.”
Entre os principais desafios enfrentados pelas lideranças de mídia atualmente, Nathalia destaca a formação e a retenção de talentos. O perfil exigido pelo mercado reúne habilidades analíticas, estratégicas, criativas e técnicas, tornando a busca por profissionais qualificados cada vez mais difícil. Além disso, a concorrência por esses talentos se ampliou e segurar quem realmente entende mídia de ponta a ponta virou uma questão estratégica para as lideranças.
FIM DO LONGO PRAZO?
Outro ponto de atenção é a dificuldade de sustentar estratégias de longo prazo em um ambiente dominado pela pressão por resultados imediatos. “O longo prazo praticamente deixou de existir e isso é preocupante”, afirma. Segundo ela, campanhas precisam entregar resultados instantâneos sob o risco de serem rapidamente substituídas, criando um cenário de baixa tolerância ao erro. “Convencer clientes a sustentar uma direção estratégica num ambiente assim é talvez o exercício mais difícil, e o mais importante, que um líder de mídia pode fazer hoje.”
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 22 de junho.



