Cannes superlotado

Armando Ferrentini, fundador do propmark

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Por Armando Ferrentini, fundador do propmark

O festival de Cannes está cada vez mais cheio. Tremendo engano para quem pensou que a redução de inscrições de peças (25% no geral) poderia afetar o número de delegados também. Ainda não saiu a quantidade oficial de participantes do maior festival da publicidade mundial, mas certamente ultrapassará 20 mil pessoas (contando o público dos eventos extraoficiais).

Havia filas cheias para todos os lados, especialmente fora do Palais des Festivals et des Congrès. A verdade é que os encontros paralelos, ativações, espaços de marcas, plataformas e agências crescem a cada ano e têm vida própria. Chamam mesmo a atenção. Grande parte do público se dividiu nos ‘estandes’, que distribuíram experiências, muito conteúdo, drinks e brindes.

As festas também disputaram a audiência. Engana-se novamente quem imagina que os eventos paralelos em Cannes sejam só diversão. Muito pelo contrário. Até pode ter distração, claro, com bebidas (algumas vezes, rosés) e comidinhas sendo servidas, mas são nesses encontros que o networking acontece na veia e onde as pessoas trocam ideias, apertam as mãos e de onde saem muitas conversas para futuros negócios. Não só futuros. Negócios são fechados ali mesmo.

Cannes é o tipo de festival que sempre deixa um gostinho de quero mais. Apesar da semana exaustiva e do calor de 40 graus na França este ano, difícil alguém que participou e não tenha voltado com Fomo (Fear of Missing Out), tamanha a quantidade de ‘atrações’ e conteúdo que o encontro gerou. A sensação de que poderia ter feito mais isso ou aquilo, encontrado mais gente ou visitado outros espaços aumentou a expectativa para a próxima edição.

A festa de encerramento é outro capítulo à parte. A fila quilométrica para entrar não foi legal. Aliás, este veículo faz aqui uma sugestão para a organização do evento: ter uma entrada somente para a imprensa, assim como passou a adotar filas especiais para os jornalistas entrarem nos painéis dentro do Palais.
O Palais, principal centro de convenções da cidade de Cannes, na Riviera Francesa, é sem dúvida o coração pulsante do festival, onde os júris e a imprensa ficam reunidos, e as grandes conferências e cerimônias de premiação acontecem. É onde o tapete vermelho é estendido para reconhecer os talentos e vencedores dos disputados e desejados Leões, o prêmio que vai além do prêmio.

As agências e as marcas fizeram bonito representando o país no palco – em 2026, foram 62 Leões, incluindo nada menos do que três Grand Prix, com trabalhos da GUT para Mercado Livre, LePub para Heineken e Artplan para Idomed e Instituto Yduqs. Nada apagou o talento brasileiro.

Apesar da dificuldade em inscrever peças, com os novos padrões de integridade adotados pela organização após o caso da DM9 no ano passado, refletindo a queda de 35% em prêmios (em 2025, havia sido 95), a qualidade prevaleceu.

Com o case ‘Could have been a Heineken’, o mais premiado da edição, a LePub SP brilhou ao lado da LePub Milão (a peça é uma cocriação das agências), que ainda faturou o Prêmio de Agency of the Year do Cannes Lions, ‘duplando’ com o cliente Heineken, que levou o troféu de Creative Brand of The Year.

A campanha, que convidou o público a socializar ao vivo, trocando os longos áudios enviados pelo WhatsApp por uma Heineken nos bares, refletiu o que os júris premiaram em 2026: “Num ano em que se esperava a tecnologia dominando o palco, o que parou o júri foi o insight sobre como as pessoas vivem”, declarou Iuri Maia, diretor de estratégia do Mercado Livre, à repórter Bruna Nunes, que acompanhou in loco o festival, ao lado da equipe do propmark. Confira nesta edição outras análises de executivos de agências e marcas sobre o Cannes Lions 2026.

Armando Ferrentini
Armando Ferrentini
Fundador
aferrentini@propmark.com.br

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