Ações comunitárias salvam!

ÍNDICE

Por Alexis Thuller Pagliarini, sócio-fundador da ESG4

No rescaldo do Cannes Lions, vale a pena observar como as ações ativistas criativas – ações que eu chamo de criativistas – podem modificar profundamente uma marca, uma empresa, uma instituição e até mesmo uma comunidade inteira.

Quando você consegue usar a criatividade para uma mobilização contundente, você salva, sim. Você salva um time, salva residências, salva a verdade e até salva um bar, por que não?

No parágrafo anterior, coloquei em ordem o resultado de quatro ações comunitárias que ganharam Leões e Grand Prix no Cannes Lions e contribuíram decisivamente para salvar algo – literalmente. Vamos a elas. A primeira que eu destaco é a ‘The thousand sponsors of Muni (‘Os mil patrocinadores do Muni’), uma ação que conquistou Grand Prix na categoria Entertainment for Sport. A ação teve o suporte da McCann de Lima, Peru, voltada ao tradicional time de futebol daquele país, o Club Deportivo Municipal, o Muni. Ao cair para a terceira divisão, o time perdeu seu patrocinador principal e viu ameaçada sua existência, apesar da paixão dos seus torcedores. Foi aqui que pintou a ideia salvadora. Foi criada uma plataforma de múltiplos pequenos patrocinadores, mil, para ser mais exato. Foram criadas pequenas cotas de patrocínio, que foram adquiridas por pequenos empresários, que tiveram suas marcas expostas na camiseta do clube.

Sim, mil marcas estampadas nas camisas oficiais do time. Além disso, esses comerciantes foram designados revendedores oficiais de itens do time, ampliando seus negócios. Uma ação criativista ganha-ganha, que salvou o Muni. A segunda refere-se à ação de uma empresa, a Suncorp Insurance, da Austrália. Por conta das mudanças climáticas, a Austrália, como outros países do mundo, está mais sujeita a intempéries, com diversos episódios de inundação, incêndios ou furacões. Em vez de focar nos sinistros, a empresa focou na prevenção, criando uma plataforma pela qual qualquer residência pode fazer uma avaliação de risco gratuitamente e tomar providências preventivas para se tornar mais resiliente. Uma ação que garantiu um Titanium para o case intitulado ‘Haven’, inscrito pela agência Leo, da Austrália.

A terceira ação, intitulada Network, foi inscrita pela agência Rainbow Lobster, do México, e pela instituição Comando Con Venezuela, da Venezuela. Sabendo da potencial manipulação de resultados da eleição para presidente naquele país, o Comando con Venezuela treinou secretamente 600 mil voluntários para acompanhar paralelamente a apuração dos votos, escaneando o QR code de cédulas de consolidação de votos de cada sessão eleitoral do país.

Assim, no final, eles tinham o número correto da apuração e puderam confrontar o resultado da reeleição de Maduro, apresentado pelo governo. Embora não tenham conseguido reverter o resultado, a mobilização resgatou a verdade por trás da manipulação governamental. O quarto case que destaco aqui é a mobilização para salvar um bar. Isso mesmo: o último pub de uma pequena vila do interior da Irlanda. Os pubs de pequenas cidades irlandesas estão com dificuldade de se manterem abertos. A administração de um bar se tornou mais complexa e os donos de pubs têm dificuldade.

Nos últimos 20 anos, 25% dos pubs de pequenas cidades fecharam as portas. Os pubs, porém, são muito importantes para essas comunidades. É lá que fica o ponto de encontro e o divertimento de boa parte dos adultos, onde as conversas são atualizadas. Veio então a ideia: e se a própria comunidade comprasse e administrasse o pub. E foi o que aconteceu.

Com ajuda da Heineken, que ofereceu condições especiais e assessoria na administração, o pub se manteve aberto. Com esse exemplo bem-sucedido, outro pub já se salvou, em outra vila, e outros dois estão em processo. Estes são exemplos vivos – e premiados – de criativismo! Provas de que, quando há uma mobilização autêntica, um ativismo efetivo e criativo, coisas boas são salvas!

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