No último dia do 73º Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, realizado na Riviera Francesa, saiu o terceiro Grand Prix brasileiro: a Artplan conquistou o prêmio máximo em Glass com o trabalho ‘Nigrum corpus’, criado para Idomed & Instituto Yduqs, e foi a única agência do país premiada nesta sexta-feira (26).
Com isso, o Brasil encerra a participação de 2026 no maior festival da publicidade mundial com 62 Leões, sendo três Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes. A performance é 35% inferior em relação à do ano passado, quando o mercado recebeu 95 prêmios (já descontados os 12 troféus cassados e devolvidos pela DM9).
O resultado é proporcional à redução da participação brasileira nas inscrições, que chegou a 41% – o país passou de 2.684 cases submetidos em 2025 para 1.593 em 2026. Já a queda no volume geral de trabalhos inscritos no Cannes Lions foi de 25% – neste ano, o festival recebeu 20.050 submissões, ante 26.900 registradas em 2025.
No total, 14 agências nacionais foram premiadas no Cannes Lions 2026. Estão no top 5 AlmapBBDO, LePub São Paulo, GUT, Artplan, Droga5 e Publicis, empatadas na quinta posição. Também foram premiadas Africa Creative, VML São Paulo, FutureBrand, Lovely, Wieden+Kennedy, Beta Collective, Drum e Ogilvy.
O recuo das inscrições é reflexo dos novos padrões de integridade estabelecidos pela organização para inscrição de peças, incluindo regras mais rígidas para comprovação da veracidade dos cases e a adoção de ferramentas de detecção de conteúdo manipulado por IA.
O conjunto de medidas veio um ano após o escândalo da cassação do Grand Prix ‘Efficient Way to Pay’, criado para a Consul pela extinta DM9, que manipulou conteúdo por meio de IA para simular eventos e resultados que não correspondiam à execução real da campanha.
Chances do Brasil
Além de Glass, nesta sexta-feira, também foram divulgados os Leões de Titanium, Sustainable Development Goals e Film Lions. O Brasil também tinha chances de ganhar Leão em Glass com ‘Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro’, da Beta Collective para L’Oréal Luxe.
A AlmapBBDO era a única finalista em Film. A agência concorreu com ‘Despedidas’ para O Boticário. O GP da categoria saiu para a campanha ‘Can I get a six pack quickly?’, da Mother Londres para Claude.
Em Sustainable, a Ampfy disputava Leão com o trabalho ‘The missing portraits’ (‘Desaparecidos’) para Piracanjuba. O Grand Prix da área foi para ‘Paid sick leave for cows’, da The Partnership Agency para o Quênia, que levou o primeiro GP de Cannes na história do país.
Em Titanium, não havia campanhas nacionais classificadas neste ano. O GP ficou com a Leo Austrália para o case ‘Haven’, criado para a seguradora Suncorp Insurance.
GPs brasileiros
O GP da Artplan ‘Nigrum Corpus’ denuncia, por meio da arte e ciência, o racismo estrutural no sistema de saúde. A campanha foi vencedora do prêmio máximo do festival em 2025 na categoria Industry Craft e voltou este ano para concorrer em categorias como Glass, que permite a inscrição de cases que mostram os resultados transformadores alcançados por campanhas no longo prazo.

O primeiro Grand Prix do Brasil foi revelado no primeiro dia de Cannes e saiu para a GUT São Paulo, com o case ‘Field barcode’ para o Mercado Livre em Outdoor. A ação transformou o campo de futebol do estádio do Pacaembu em códigos de barras com cupons de descontos do e-commerce, que podiam ser escaneados pelos consumidores durante uma partida entre o Corinthians e o Boca Juniors.
No terceiro dia do festival, saiu o segundo GP do país para a LePub São Paulo em Social & Creator Lions com o projeto ‘Could been a Heineken’, uma cocriação com a LePub Milão. A campanha incentivou os consumidores a trocar os longos áudios enviados por WhatsApp por uma Heineken em bares participantes da ação. ‘Could been a Heineken’ foi o case brasileiro mais premiado no Cannes Lions 2026. Além do GP, levou cinco Ouros, duas Pratas e um Bronze.
Confira abaixo o ranking brasileiro de agências:



