O Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions destaca mais uma vez, no ano da sua 73ª edição, seu papel de ser articulador do setor global (agências, anunciantes, plataformas, produtoras, fornecedores de serviço e canais de mídia), para fornecer insights e conclusões com o propósito de ajudar o setor a ir além da conscientização e ir para a ação.
“Uma das maneiras pelas quais estamos apoiando isso é evoluindo nossa parceria de 25 anos com a ACT Responsible. Transformamos o Sustainability Hub no Lions Impact Hub, criado para se dedicar e demonstrar como a criatividade pode ser uma força para mudanças ambientais e sociais positivas. Essa evolução reflete nosso compromisso não apenas com a conscientização ambiental, mas também com um impacto social mais amplo”, sentencia Philip Thomas, chairman do evento, querendo dizer que a questão ambiental representa uma oportunidade para o setor de marketing.
“É preciso demonstrar o poder da criatividade para gerar mudanças significativas. Por meio do Lions Impact Hub, apresentaremos campanhas e ideias que comprovam que responsabilidade e criatividade são forças complementares, e não mutuamente exclusivas. Queremos que os participantes compreendam como podem usar a sustentabilidade como catalisador para um pensamento criativo inovador que construa valor de marca a longo prazo”, acrescenta Thomas. Ele utiliza o ferramental do festival para estimular os temas que atingem a sociedade civil para estarem na pauta criativa das agências, produtores de branded content e na orientação dos briefings dos anunciantes.
Já os desafios que o mundo enfrentou desde a Covid-19, incluindo guerras, crises ambientais e econômicas, também criam oportunidades para o mercado. Na visão de Simon Cook, CEO do Cannes Lions, há uma vasta quantidade de dados e insights que mostram que a criatividade impulsiona o crescimento, mesmo em tempos de recessão econômica ou incertezas.
“No recente ‘Relatório de gastos com publicidade’ da Warc, foi demonstrado que, entre 2020 e 2022, a publicidade ultrapassou um limite estrutural. Em vez de se comportar como um indicador cíclico atrelado à confiança do consumidor, os gastos com publicidade passaram a acompanhar a lucratividade corporativa e a atividade econômica centrada na plataforma. A antiga regra — de que os orçamentos sobem e descem em linha com o PIB — não se aplica mais. Desde 2021, os gastos globais com publicidade superaram a economia real em três a seis pontos percentuais a cada ano. Isso demonstra a crescente importância estratégica da criatividade em todos os cenários globais”, observa o executivo.
A inteligência artificial é outra questão que permanece dentro do escopo do setor. Algumas lições foram compreendidas pela indústria, que já sabe como pode ajudar o setor a se tornar mais eficiente.
“A IA continua a ganhar força no nosso setor, mas a forma como a aproveitamos como ferramenta para potencializar a criatividade humana será crucial. A IA desempenha um papel no processo criativo, mas penso que, em última análise, chegará a um ponto em que será mais uma opção na paleta da criatividade, tornando-se potenciador da criatividade em vez de uma força negativa”, explica Cook.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 15 de junho.
Imagem do Topo: Ale Oliveira



