A força do advocacy

Por Patricia Monteiro de Souza, gerente de relações governamentais e internacionais da ABA

As decisões que impactam a publicidade e o marketing nem sempre são tomadas dentro das empresas. Muitas vezes, são definidas em espaços regulatórios e institucionais distantes das salas onde estratégias de marcas e campanhas são construídas. Por isso, acompanhar essas discussões passou a fazer parte da agenda do setor.

Na ABA, tenho visto de perto como o advocacy de uma entidade de classe pode contribuir para esse processo. Mais do que defender os interesses dos anunciantes, trata-se de acompanhar transformações, monitorar temas relevantes, levar diferentes perspectivas ao debate e contribuir para soluções que façam sentido para o mercado e para a sociedade. É um trabalho técnico, transparente e baseado em evidências, que acontece principalmente em três frentes.

A primeira é o monitoramento do ambiente regulatório. Em um cenário de rápidas mudanças, acompanhar propostas desde o início permite identificar riscos, oportunidades e contribuir para decisões mais equilibradas. Nesse cenário, a ABA defende a bandeira da autorregulamentação e o trabalho do Conar como importantes exemplos de como o próprio mercado pode construir mecanismos para promover responsabilidade e boas práticas na publicidade.

A segunda é a união. Quando empresas e setores trabalham em conjunto, suas contribuições ganham mais força. Tenho visto isso em discussões sobre influenciadores digitais e inteligência artificial, temas que transformam a forma como as marcas se comunicam. Esse protagonismo colaborativo, que faz parte da atuação da ABA, permite reunir experiências e levar ao debate público argumentos técnicos que dificilmente seriam apresentados de forma isolada.

A terceira é a disseminação de boas práticas. Contribuir para o aprimoramento das regras também significa ajudar as empresas a entender como aplicar essas mudanças. Na ABA, acompanho a elaboração de guias de boas práticas sobre diferentes temas relevantes, que transformam discussões técnicas em orientações práticas, ajudando as empresas a tomar decisões com mais segurança.

Para que esse trabalho seja efetivo, participação e colaboração são fundamentais. Comitês e Grupos de Trabalho da ABA reúnem lideranças com diferentes experiências, enquanto a troca com outras entidades e organizações, como Cenp, Conar e WFA, amplia a capacidade de compreender tendências e antecipar desafios.

Os temas que impactam a publicidade e o
marketing não respeitam mais fronteiras. Inteligência artificial, dados, creator economy, sustentabilidade e novas tecnologias são questões globais. Por isso, o diálogo entre anunciantes, agências, veículos e plataformas, assim como a conexão com essas organizações, é cada vez mais relevante.

Vejo o advocacy como um compromisso com a construção de um ambiente de negócios mais moderno, ético e competitivo. Trata-se de participar ativamente do debate público, levando conhecimento técnico, evidências e a experiência do setor para contribuir com políticas e regulações mais equilibradas.

Quando empresas atuam de forma colaborativa, por meio de entidades representativas como a ABA, fortalecem uma agenda coletiva capaz de promover segurança jurídica, incentivar a inovação e criar condições para que o marketing continue gerando valor para os negócios, para os consumidores e para a sociedade.

Em um mercado que muda tão rapidamente, não participar das discussões que definem suas regras pode significar deixar que outros decidam o seu futuro. Por isso, na ABA, o futuro passa por aqui.

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