Por Leo Macias, CCO da Lola\TBWA
O Dia dos Pais é muito mais do que uma oportunidade para vender produtos. É uma oportunidade para despertar lembranças, criar momentos e celebrar aquilo que realmente importa.
No fim das contas, a paternidade é feita de conexão, de emoção e de tempo compartilhado. Ela não está no presente que se desembrulha, mas na memória que se constrói. O momento vale muito mais do que o objeto.
É justamente aí que enxergo a grande oportunidade para as marcas. Em vez de repetir os mesmos códigos e discursos que voltam todos os anos, elas podem criar mensagens mais humanas, mais autênticas e verdadeiramente relevantes. Quando uma marca entende que o protagonista é a relação entre pais e filhos, e não o produto, a comunicação deixa de falar apenas sobre consumo e passa a fazer parte da história das pessoas.
Acho que, a partir do momento em que você se torna pai, acontece uma transformação curiosa: ao mesmo tempo, você também passa a ser um filho melhor. Você começa a enxergar essa relação por um novo ponto de vista e entende o verdadeiro significado dessa data. Isso inevitavelmente muda a forma como você pensa a comunicação para ela. O Dia dos Pais deixa de ser apenas mais um domingo no calendário e passa a representar uma vida inteira de aprendizados, afeto e conexão entre pais e filhos.
E, quando você entende a dimensão emocional que essa data carrega, o compromisso criativo também aumenta. A responsabilidade deixa de ser simplesmente criar uma campanha para vender mais e passa a ser encontrar uma ideia que faça sentido para as pessoas, que seja relevante para diferentes tipos de pais e que consiga fugir de tudo aquilo que já vimos ser repetido tantas vezes.
É justamente essa busca por uma solução original, humana e verdadeira que torna um briefing como esse tão desafiador, e tão especial. Também acho que a paternidade é muito maior do que um modelo específico de família. No fim, ela fala sobre cuidado, presença, afeto e sobre as pessoas que ajudam a formar quem nós somos.
Eu digo isso também pela minha experiência. Cresci sem a presença do meu pai biológico. Durante muitos anos, o Dia dos Pais foi a forma que encontrei de homenagear a minha mãe, que me criou sozinha, e, mais tarde, também o meu sogro, que assumiu de alguma maneira esse papel na minha vida. Por isso, acredito que uma campanha relevante não deve partir de uma definição de família, mas da emoção que existe nessas relações.
Quando a comunicação fala de amor, presença e legado, ela naturalmente consegue incluir diferentes histórias e diferentes formas de viver a paternidade.



