Por Fernanda Tchernobilsky, Co-CEO da Pros
Durante a Copa, a Argentina conquistou, além de vitórias, uma narrativa. Era a seleção da garra, da raça, da capacidade de virar jogos improváveis. Independentemente da torcida, havia respeito pela campanha construída até ali.
Mas reputação nunca é construída apenas nas vitórias. Ela é testada justamente quando o roteiro muda.
Perder faz parte do esporte. O que permanece é a forma como se perde.
E na final, a conversa rapidamente deixou de ser apenas sobre futebol. Atitudes durante e após o apito final, discussões, provocações e gestos que destoaram da campanha acabaram ocupando um espaço que poderia ter sido reservado exclusivamente ao mérito esportivo.
No mundo corporativo acontece exatamente a mesma coisa.
Marcas investem anos construindo posicionamento. Desenvolvem propósito, fortalecem cultura, patrocinam causas, criam campanhas memoráveis e conquistam a confiança de clientes, colaboradores e da sociedade.
Mas reputação não é só o que uma marca comunica quando tudo está funcionando. É o que ela demonstra quando é “contrariada”. É na crise que valores deixam de ser um discurso e passam a ser comportamento. É quando a pressão aumenta que liderança, cultura e coerência são colocadas à prova.
A forma como uma empresa responde a um erro, trata um cliente insatisfeito, conduz uma crise ou reage a uma derrota diz muito mais sobre sua reputação do que qualquer campanha.
E o mesmo vale para líderes. É “fácil” inspirar quando tudo dá certo. Difícil é manter a coerência quando as expectativas são frustradas.
E acredito que essa seja a maior lição que ficou desta Copa.
Ninguém destrói uma reputação em um único dia. Mas um único dia pode revelar que ela nunca foi tão sólida quanto parecia.



