O novo mercado da influência masculina e a economia da aspiração

Por Fernando Bento, cofundador do Grupo Pop, fundador da HighFy e especialista em comunicação de moda e luxo

Durante muito tempo, o mercado de influência masculino foi dominado por criadores que construíam autoridade a partir do conhecimento. Eram empresários, atletas, especialistas, profissionais reconhecidos em seus segmentos ou, mais recentemente, coaches de negócios e desenvolvimento pessoal. O homem recorria às redes sociais para aprender, informar-se ou acompanhar alguém por sua credibilidade.

Hoje, esse comportamento mudou profundamente. A moda, a beleza e o lifestyle passaram a ocupar um espaço central na forma como os homens consomem conteúdo e tomam decisões de compra. O influenciador masculino deixou de ser apenas alguém que ensina. Ele passou a inspirar.

Assim como aconteceu com o mercado feminino na última década, o público masculino começou a enxergar as redes sociais como uma vitrine de referências estéticas, comportamento e consumo. Vestuário, relógios, tênis, perfumes, skincare, viagens, gastronomia, arquitetura e até a maneira de decorar a casa passaram a compor um mesmo universo aspiracional masculino.

Essa transformação não acontece por acaso. Ela acompanha o amadurecimento de um mercado global que hoje movimenta mais de US$ 590 bilhões em moda masculina e deve ultrapassar US$ 900 bilhões até o fim da década, impulsionado principalmente pelos Millennials e pela Geração Z, que enxergam estilo como uma extensão da própria identidade.

Ao mesmo tempo, surgem novos perfis de influenciadores que ajudam a explicar essa evolução. Nas principais capitais europeias, como Milão, Paris, Londres e Copenhague, grupos de jovens entre 20 e 30 e poucos anos vêm definindo uma nova estética masculina. Mais do que publicar looks, eles constroem um imaginário completo por meio da fotografia, da direção criativa, da arquitetura, das viagens e de um estilo de vida cuidadosamente documentado. São criadores que influenciam tendências muito antes de elas chegarem ao grande público.

Paralelamente, cresce um segundo perfil de influência. Homens mais maduros, normalmente acima dos 35 anos, empresários ou profissionais de alto poder aquisitivo, que compartilham um lifestyle pautado pela alfaiataria, pela relojoaria, pelos carros, pela gastronomia, pelo design, pela arquitetura e pelas grandes maisons de luxo. Nesse universo, o consumo deixa de ser apenas sobre produtos e passa a representar uma visão de mundo.

Outro movimento importante é a aproximação entre moda, esporte e wellness. A prática esportiva deixou de ser apenas uma atividade física e passou a representar um código de estilo. Corrida, ciclismo, tênis, golfe e academias boutique fazem parte da identidade desse novo consumidor, abrindo espaço para um mercado que conecta performance, bem-estar e estética.

É justamente essa combinação entre aspiração e autenticidade que torna a influência masculina tão relevante atualmente. Esse comportamento também se reflete nos dados de consumo, com plataformas que influenciam diretamente decisões de compra. Instagram, TikTok e YouTube consolidaram-se como as principais plataformas de descoberta de produtos para homens, especialmente nas categorias de moda, grooming e beleza. Em paralelo, o Pinterest registra um crescimento consistente nas buscas masculinas por skincare, cuidados pessoais e referências de estilo, demonstrando que o interesse pelo autocuidado deixou de ser uma tendência para se tornar um comportamento estabelecido.

Se durante anos o consumo masculino era guiado pela funcionalidade, hoje ele também é movido pela inspiração. E, nesse novo cenário, a influência digital tornou-se uma das principais responsáveis por transformar referências em tendências e tendências em consumo.

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