Por Thiago Cavalcante, CEO e fundador da agência INFLR
Para quem nasce e cresce em Paraisópolis, o sonho de ser jogador de futebol não é apenas um desejo; é a primeira grande lição de criatividade. Na comunidade, aprendemos cedo que abrir caminhos onde eles não existem é a habilidade mais valiosa. Minha infância foi desenhada entre campos de várzea, peneiras e treinos em clubes como São Paulo e Palmeiras. Vivi a disciplina rígida do esporte, mas o que mais me fascinava era a inteligência do jogo: a capacidade de antecipar movimentos que ninguém mais via.
O que muitos poderiam ler como o fim de um sonho, prefiro chamar de o despertar de uma nova visão. Em um momento de sobriedade, que hoje reconheço como meu primeiro grande insight estratégico, entendi que o caminho como atleta era estatisticamente incerto. Tomei a decisão mais difícil da minha juventude: deixei o campo para apostar no conhecimento. Troquei os treinos por um cursinho na própria comunidade, focado em conquistar uma bolsa no Mackenzie. Ali, percebi que a resiliência da várzea e a leitura de jogo eram, na verdade, o repertório perfeito para o marketing e os dados.
Essa escolha de priorizar o conhecimento como ferramenta de transformação me permitiu fundar a INFLR. Mas o futebol nunca saiu de mim; ele se tornou minha lente criativa. Minha inspiração não vem de manuais de publicidade, mas da intersecção entre cultura de rua, entretenimento e tecnologia.
Na próxima Copa do Mundo, essa jornada completa um ciclo simbólico. Não estarei em campo como o jogador que sonhei ser, mas como o arquiteto do projeto Rede Ronaldo – Brasa em Campo. Onde antes buscava a atenção de olheiros, hoje construímos território e comunidade. Mais do que um hub fixo, essa operação ganha vida na estrada através da Maestrada, um trailer-estúdio que percorrerá mais de 4.000 km entre as cidades-sede, funcionando como um posto avançado de conteúdo e conexão com os brasileiros na América. Essa presença itinerante, somada à curadoria editorial do Grupo Primo, garante que o Brasa em Campo seja uma plataforma de relevância contínua. É a realização técnica de um sonho: entender que, para dominar o jogo da atenção, precisamos estar onde o público está, unindo a logística pesada de uma tour internacional à agilidade do digital.
Minha maior inspiração criativa foi perceber que o verdadeiro hype nasce fora das quatro linhas. Na música, no trailer-estúdio percorrendo 4.000 km pelos EUA e na conexão genuína entre creators e audiência, a magia acontece. Coordenar uma ativação que projeta 175 milhões de impressões, ao lado do fenômeno Ronaldo, é minha verdadeira final de campeonato.
Minha maior vitória não foi marcar um gol em um grande estádio, mas ter tido a clareza de planejar minha carreira com a precisão de um camisa 10. Na INFLR, provamos que a execução impecável e o olhar atento à cultura são o que realmente ganham o jogo. Afinal, a criatividade nada mais é do que a coragem de mudar de campo sem perder a vontade de vencer.



