Beto Fernandez explica como vai trabalhar a sua nova agência Activista

Negócio da Anomaly tem a liderança do publicitário brasileiro em sociedade com Paco Conde

Divulgação

Após um período de aproximadamente um ano na posição de ECD da Anomaly de Los Angeles, o brasileiro Roberto Fernandez anunciou nesta quarta-feira (4) a abertura oficial da Activista, agência que terá foco nas ações de marketing de causa. Ele terá como sócio o espanhol Paco Conde, que também deixa suas funções na Anomaly.

O aporte financeiro e a infraestrutura necessária para dar vida a sua agência, segundo Fernandez, é da Anomaly. A Activista vai fazer parte da rede e, consequentemente, realizar projetos com o perfil de terceiro setor. Fernandez e Conde já trabalham juntos há alguns anos. Primeiro na Ogilvy Brasil, depois na BBH de Londres e, finalmente, na Anomaly, de onde sairam para materializar a Activista.

O primeiro trabalho da Activista foi o projeto “Same Team Jersey”, lançado no final do mês de junho, contra a intolerância aos gays no futebol, mas ainda como uma iniciativa particular de Fernandez e Conde. A ação contou com a colaboração de um coletivo global de profissionais de criação.

Fernandez concedeu a seguinte entrevista ao PROPMARK:

A Activista vai fazer parte da Anomaly?

Sim. A agência vai fazer parte da rede. Meu sócio é o Paco Conde, que dividia comigo o comando criativo da Anomaly. Nosso primeiro trabalho foi o “Same Team Jersey”.

Como surgiu a ideia da campanha?

A ideia surge de duas coincidências. A primeira é que a Copa do Mundo e o Mês do Orgulho se celebra no mesmo mês. A segunda é que o futebol é um dois esportes mais homofóbiíos e a Copa está sendo disputada na Russia, um dos 73 países do mundo onde a comunidade LGBTQ é perseguida. Achamos que era o momento perfeito e com o contexto perfeito para mandar uma mensagem de tolerância, inclusão e amor pro mundo. 

Quanto tempo durou a realização do projeto?

Esse projeto realmente aconteceu muito rápido. Tivemos a ideia uma semana antes do começo da Copa. Dois dias depois, entramos em contato com Floor Wesseling, sportwear designer Holandês. Ele nos ajudou a criar o design e produziu seis camisas originais em Amsterdam, que depois foram replicadas em mais duas camisas em LA e duas em NY. Apenas alguns dias depois estávamos em NYC fazendo uma sessão de fotos com o fotógrafo de moda brasileiro Marcos Mello Cavallaria no emblemático Stonewall Inn, local onde o movimento LBGT teve sua origem depois de uma série de protestos em 1968. E no dia seguinte estávamos fazendo fotos na Parada Gay de NYC. Tudo isso passou do 6 a 24 de junho. Agora o projeto segue com camisas em NYC, São Paulo, Londres, Los Angeles e Moscou. 

 Como está se materializando o apoio à ação?

A ação está tendo muito apoio nos meios de comunicação de diferentes países, o apoio popular através das redes sociais, o apoio da comunidade LGBTQ e zero apoio do mundo do futebol. Contatamos uma grande quantidade de jogadores de futebol de primeiro escalão da Premiere League e de outros campeonatos europeus e o estigma é tão grande que ninguém queria apoiar o projeto. Até que ontem ‘O Rei’ Pelé demostrou mais uma vez por que é ‘O Rei’ sendo o primeiro a demonstrar apoio público ao projeto com um Tweet.

Por que o futebol masculino concentra intolerância, diferente ao que acontece no feminino?

O tamanho do business do futebol masculino, assim como o número de torcedores é imensamente maior que o feminino. E quanto maior o business, maior a pressão. Sendo o esporte mais popular do planeta, o futebol infelizmente ainda carrega o peso desse conservadorismo. Na maioria dos outros esportes existe uma abertura muito maior.

 As marcas se incomodam com a condição dos atletas gays no universo do futebol?

A homossexualidade é o maior estigma no futebol. Uma pesquisa feita pela ONG Stonewall no ano passado revela que não existem jogadores de futebol abertamente gays nos principais campeonatos Europeus. E 25% dos torcedores da Espanha se sentiriam desconfortáveis com jogadores gays na seleção. O Brasil teve o maior declínio em tolerância nos últimos três anos, com o apoio a jogadores LGBTQ caindo de 67% em 2014 para 60% em 2017. Esse estigma gigante acaba criando um pacto de silencio no mundo do futebol e faz que clubes, agentes e patrocinadores queiram evitar qualquer apoio na causa.

 O projeto é um alerta também para outros esportes?

O projeto não é só um alerta pra outros esportes, mas para a sociedade toda. A Copa do Mundo é o evento mais popular do esporte mais popular do planeta. Uma grande oportunidade para fazer uma mudança não só no futebol, mas também em outros esportes e como consequência na sociedade.

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