Couromoda está em sua 41ª edição

Após um ano de dificuldades, com a perda da competitividade nos mercados interno e externo, o setor calçadista vê com boas expectativas a 41ª edição da Couromoda, que se inicia nesta segunda-feira (13) e vai até o próximo dia 16 no Anhembi, em São Paulo. “Com todas as dificuldades do varejo e da indústria, conseguimos manter o mesmo tamanho do ano passado. São 80 mil m² de feira”, relata Jeferson Santos, diretor da Couromoda.

O encontro é a grande vitrine do setor de calçados, bolsas e acessórios. Durante quatro dias,  oferece ao varejo a oportunidade de conhecer o lançamento de cerca de 2,2 mil coleções. A feira confirma as principais tendências para a temporada outono/inverno e meia-estação, que, em breve, estarão nas vitrines das lojas.

A perspectiva é movimentar 35% das vendas anuais da indústria de calçados, segundo o diretor da Couromoda. São esperadas cerca de 85 mil visitas profissionais, especialmente de lojistas. “Devemos receber 60 países. Para crescer nesse setor, temos que trabalhar no mercado externo. Acredito que a feira terá resultado positivo e vamos ter um início de ano aquecido”, diz o executivo.

Segundo o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, depois de um ano de dificuldades o setor tem boas expectativas em relação à feira. “A Couromoda é uma feira importante e serve como termômetro para as vendas de todo o ano. A expectativa da participação dos fabricantes nacionais nessa edição é mais positiva quanto aos negócios com compradores internacionais. O dólar num patamar mais atrativo para a formação de preços mais competitivos e a recuperação de alguns dos principais mercados para o calçado brasileiro são sinalizações de que podemos ter um bom desempenho nessa área”, comenta.

Ações

A feira prepara algumas ações de marketing para aumentar a visitação, como o aplicativo para o evento, que traz informações, mapa dos expositores e auxilia a fazer negócios. Também está programado o debate Café COM Internet, que apresentará um estudo das 10 maiores marcas de sapato do país nas mídias sociais. Entre as novidades da edição 2014 estão as Noites de Confraternizações para expositores, representantes e lojistas; a campanha “Ótimos negócios, todos os dias”, que sorteará dois carros zero no último dia da feira; e o site Couromoda Viagens, criado para oferecer aos visitantes as melhores condições na compra de passagens aéreas, reservas de hotel e serviços de traslado para o período do evento.

Já para ampliar os momentos de relacionamento entre expositores, lojistas e representantes, a Couromoda investe nessa edição em três eventos de confraternização: Noite do Expositor, nesta segunda-feira (13); Noite do Varejo, com o tradicional Jantar da Ablac (Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados), na terça-feira (14); e a Noite do Representante Comercial, na quarta-feira (15). Também há o Congresso Brasileiro do Calçado, que vai debater temas pertinentes como economia, marketing e o varejo do futuro no setor.

Setor calçadista

O consumo de calçado no mercado brasileiro teve 83% de crescimento nos últimos 10 anos. Em 2013, a produção foi de 864 milhões de pares, contra 834 milhões em 2012. Com números tão altos, a perspectiva é de um pequeno crescimento este ano. Conforme o índice de Produção Física Industrial de Calçados, de janeiro a novembro de 2013, segundo o IBGE, no comparativo com igual período de 2012, o crescimento do mercado calçadista brasileiro foi de 6,6%. Ainda conforme o IBGE, o varejo de calçados cresceu no período na casa de 3%. “Por outro lado, apesar do ano passado registrar crescimento nos índices, notamos um desaquecimento no mercado interno a partir do segundo semestre, quando a inflação e a oferta atrativa de bens concorrentes provocaram a queda na atividade”, comenta Klein.

Já no mercado externo houve um aumento de cerca de 8% nas exportações até novembro (no comparativo com o mesmo período de 2012), em pares, favorecidos por um câmbio mais competitivo. “Em termos de faturamento, porém, terminamos o ano de 2013 em estabilidade, algo em torno de US$ 1,1 bilhão, conforme dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”, diz o executivo.

Para 2014, a expectativa é de um leve crescimento nas exportações, embalado especialmente pelo câmbio mais competitivo e pela recuperação gradual de mercados importantes para o calçado brasileiro, especialmente Estados Unidos, o principal comprador, e países da Europa e América Latina. No mercado doméstico, a situação é mais complicada. “Apesar de termos a oportunidade histórica da Copa do Mundo, existe um receio muito grande de que o momento seja aproveitado por importadores asiáticos, especialmente na área de calçados esportivos”, avalia.