Compartilhamento de dados na era da pós-privacidade é mais seguro

Neoway reúne mercado para mostrar como o data driven muda a relação das marcas e serviços com os seus consumidores

Marçal Neto/Divulgação

Quanto menor for o nível de confidencialidade, maior será a integridade do tecido social. A expressão é do consultor Walter Longo, da Unimark, durante o evento Big data ou big brother, realizado na semana passada em São Paulo. Ele quer dizer que não adianta mais se esconder dos observadores que buscam conhecimento das pessoas e consumidores por meio da tradução dos rastros deixados pela navegação na internet. Esses algoritmos possibilitam a manipulação dos dados de forma assertiva nas estratégias de comunicação e planejamento de vendas.  

Com permissão ou sem permissão, os dados pessoais estão disponíveis para a captura. Então, segundo Longo, o ideal é se transformar em um doador de dados com o mesmo nível de resiliência de um doador de órgãos. Ele define o momento atual como o da pós-privacidade. Ninguém está livre do que a inteligência artificial é capaz de fazer. E do big data, que amplia cada vez mais seu radar com a internet das coisas, aumenta esse já gigantesco banco de informações. Em síntese: quem não deve não teme. 

“Não precisa ser como no livro 1984, de George Orwell, onde todo mundo é observado e avaliado sistematicamente. O Brasil está discutindo a lei do cadastro positivo. Isso é muito bom para quem não se esconde nesse mundo cada vez mais aberto. A China, que tem um credit score de dados, pode ser benchmark. As pessoas pagam pelo celular e não mais com o cartão. Além da geolocalização, o acesso às agendas pessoais fica disponível quando se paga pelo celular. Já são US$ 5,5 trilhões de transações comerciais feitas por celulares na China, mas com recompensas. Se alguém compra uma fralda recebe mais pontos do que alguém que fez uma tatuagem. Com um determinado volume de pontos, ganha benefícios no aeroporto e ao alugar carro”, disse Longo. 

O ecossistema do data driven valoriza a democratização dos dados e não o seu controle. “A era da pós-privacidade valoriza o cidadão de bem. Quem paga impostos e contas na data certa deveria ser diferenciado do mal pagador.  Os juros deveriam ser menores para bons pagadores.  Muita gente desconfia que ao aderir à Nota Fiscal Paulista, por exemplo, poderá sofrer perseguição do Fisco, mas não é bem assim. Vivemos uma espécie de tensão biunívoca. Com o cruzamento de dados, todos poderiam se beneficiar, mas o sistema tem de privilegiar adimplentes e não os inadimplentes”, destaca Longo, lembrando que sempre há riscos no percurso, mas que o ato de compartilhar passou a ter um novo significado. 

Para as empresas, também é crucial não se fechar em copas. Compartilhar seus dados com outras companhias pode ajudar na formalização de data lakes mais eficientes. “Dividir é multiplicar. Dado não é um tesouro. Ao cruzar dois universos, pode-se gerar um terceiro muito melhor. Os dados garantem segmentação, mais informação e, principalmente, a geração de insights inspiradores. Sem compartilhamento, essa montanha de dados é inútil. Com a abertura à privacidade, o retargeting terá fim. O sujeito que não bebe e comprou um vinho para dar de presente não vai ficar sendo bombardeado com mensagens de ofertas da bebida”, detalha Longo, que enfatiza que a busca pela privacidade total, na verdade, esconde o joio. “O Jaime de Paula, da Neoway, fala que fraudador não muda de profissão; ele muda de vítima”, ele finalizou.

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