Mudanças no jornalismo exigem mix de novas e antigas habilidades

Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/Columbia debate a profissão e o papel da imprensa no Brasil

Com cerca de 500 pessoas, acontece nesta segunda-feira (9), o 1º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/Columbia, na ESPM, em São Paulo. Sob o tema “Novos tempos do jornalismo” e promovido pela ESPM e a Columbia Journalism School, o evento teve, na parte da manhã, palestras de Carlos Ayres Britto, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e Steve Coll, reitor da Columbia Journalism School, com mediação de Ernest R. Sotomayor, diretor das iniciativas latino-americanas da Columbia Journalism School.

Dalton Pastore, presidente da ESPM, abriu o evento lembrando a origem da universidade, há 65 anos, e também falou sobre o curso de jornalismo e destacou a importância do investimento em fundos de bolsas de universidades de excelência. “Educação é cara e leva tempo. Mas não existe nenhum outro caminho que leve ao desenvolvimento”, declarou.

Ao PROPMARK, Pastore comemorou a procura por essa primeira edição – que excedeu o limite de inscrições – e adiantou a expectativa por outra no ano que vem. “Esse seminário é importante pelo conteúdo rico e para demonstrar a parceria da ESPM com a melhor escola de jornalismo do mundo, que é a Columbia, por enquanto, daqui a pouco vamos empatar. E é ótimo para nossos alunos, enriquece nosso programa acadêmico. No ano que vem, vamos fazer de novo”, disse.

Alê Oliveira

Na abertura do evento, Sotomayor comentou um pouco do trabalho da Columbia. Para ele, o jornalismo vive uma época cheia de possibilidades e a Columbia está preparando seus alunos para o futuro do jornalismo, que muda rapidamente, com novos desafios e novas oportunidades para explorar constantemente.

"Um dos maiores desafios das escolas de jornalismo é que estamos treinando uma geração de jornalistas não só para reportar e escrever histórias, mas que também podem e devem desenvolver novas formas de fazer jornalismo adaptando as novas tecnológicos. Os jornalistas do século 21 devem saber fazer entrevistas, cultivar fontes, usar dados públicos, escrever notícias e reportagens profundas. Mas também precisam saber coletar, analisar e dar sentido a grandes e complexas quantidades de dados, desenvolver formas inovadoras de visualização, algoritmos, estatísticas, por exemplo. Temos muito para aprender e fazer nos próximos anos”, afirmou.

Primeiro palestrante do seminário, Ayres Britto falou sobre “O papel da imprensa para o exercício da democracia e do desenvolvimento”, e discorreu sobre sua fiel escudeira, a Constituição Brasileira, reforçando a relação entre imprensa e democracia. Para ele, o país sairá “repaginado” da crise atual, mas para isso é preciso seguir a Constituição. “O grande desafio é sair da melhor normatividade para a melhor experiência. Temos andado de costas para a Constituição.  Mas a saída é por ela”.

Alê Oliveira

Britto também destacou a absolutividade da liberdade de imprensa no país e como é importante defender isso. “Essa Constituição tratou com apreço, carinho e atualidade a imprensa brasileira. A liberdade de imprensa aqui [Constituição] é digna de elogio pelo mundo afora. Ela tem que ser absoluta. Não há liberdade de imprensa pela metade, relativizada. A relativização significa abrir uma frincha que seja por onde a serpente da censura prévia se esgueira”, comentou.

Ao final do evento, ele defendeu que a imprensa terá, em 2018, um papel ainda mais central e essencial na sociedade. “Ela é empoderada pela Constituição e pode assumir todas essas dimensões conjuntas, informativa, noticiadora, crítica, denunciadora. Porém, tudo começando com a descrição objetiva, autêntica, verdadeira dos fatos com as respectivas circunstâncias e protagonizações humanas. Quando a imprensa é fiel aos fatos cumpre muito bem o seu papel. Precisamos de uma base sólida”, disse.

Logo após Britto, Coll falou sobre “Jornalismo Investigativo e o Desafio do Jornalismo Impresso” com mediação de Sotomayor. O reitor da Columbia reforçou que os jornalistas precisam cada vez mais unir, em seu trabalho, antigas e novas habilidades, como gastar sola de sapato na rua e saber coletar e analisar grande volume de dados.

"É muito interessante ver essas mudanças acontecendo e se acelerando. Por exemplo, a estrutura da informação está mudando sendo organizada em quantidade massiva de dados, como nos casos de Panama Papers e Wikileaks. Isso muda a natureza de como e de onde as informações chegam aos jornalistas investigativos, criando novos problemas éticos e desafios. Por causa disso, o jornalismo investigativo está ficando mais colaborativo e internacional. Organizações que eventualmente competiam estão se juntando para analisar esses dados. Eu vi jornalistas que nunca dividiram informações com alguém fora de seu veículo trabalhando com outros jornalistas, inclusive concorrentes. Eles reconhecem que essas grandes quantidades de dados que podem revelar corrupção e abusos do poder no mundo são tão grandes, complexos e suas implicações éticas de dar sentido a isso são tantas que apenas colaboração funciona", comentou.

Alê Oliveira

Após sua palestra, Coll reforçou a relevância da parceria ESPM-Columbia e do intercâmbio de estudantes entre as instituições. “O relacionamento com a ESPM é uma parte importante da estratégia internacional de nossa escola de estar conectada com o Brasil. Todos os anos temos estudantes do Brasil que fazem parte do nosso programa de graduação, eles vão muito bem porque vêm de uma imprensa forte e boa educação em jornalismo. É um bom relacionamento. Estou feliz por fazer parte desse primeiro seminário”, afirmou.

No período da tarde, acontecem dois painéis simultâneos. O “Consumo de Mídia e Jornalismo” reúne Celso Teixeira, diretor de comunicação da Rede Record; Conrado Corsalette, editor-chefe do Nexo; Paulo Tonet Camargo, presidente da Abert (Associação Brasileira de Rádio e TV); Ricardo Gandour, diretor-executivo de jornalismo da CBN; e Thomaz Souto Corrêa, da Editora Abril; mediado por Janine Marques, coordenadora do curso de jornalismo da ESPM-Sul. Já o “Jornalismo Investigativo” tem participação de Eugênio Bucci, editor da revista ESPM/Columbia; Diego Escosteguy, diretor editorial da revista Época; Marcelo Rech, presidente da ANJ; e Thiago Herdy, presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investistigativo); mediado por Pedro Curi, coordenador do curso de jornalismo da ESPM-Rio.

O evento foi transmitido ao vivo pelo Facebook da ESPM e pode ser visto na fanpagem da escola.

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