Que insights um medalhista olímpico pode trazer para uma empresa?

Nem sempre as respostas que procuramos quando pensamos em estratégia de marca vêm de caminhos óbvios. O que também não significa que as melhores ideias surgem de processos mirabolantes e complexos. Uma das apostas para entender o momento e buscar novas perspectivas para os clientes é a maneira mais simples de troca de informação: uma boa e velha conversa com quem vive em seu dia a dia situações parecidas às da empresa em questão. Foi assim, por exemplo, que um bate-papo com o nadador Ricardo Prado trouxe inspiração para uma empresa de brinquedos que queria encontrar um nicho de mercado e dominá-lo.

A baixa estatura (1,69m) sempre foi um desafio para Prado, que escolheu um esporte de gigantes. A competição foi bastante acirrada e o porte físico era invariavelmente uma vantagem dos concorrentes. Mesmo assim, Prado destacou-se e acumulou conquistas. Aos 15 anos, participou da primeira Olimpíada, em Moscou (1980). Dois anos mais tarde, foi campeão mundial nos 400 m medley em Guayaquil, no Equador, batendo recorde mundial. A partir daí ele vivenciou uma sequência de grandes conquistas com medalhas de ouro e prata no Pan-Americano de Caracas (1983) e prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984). Como ele conseguia superar a concorrência grande em tamanho e em qualidade? Treinando à exaustão para chegar à perfeição nas modalidades em que ele tinha habilidades e poderia destacar-se.

Quando o processo com Prado foi realizado, em 2014, a empresa vivia uma situação parecida: muitos competidores estavam entrando agressivamente no mercado. Era preciso encontrar um segmento em que ela fosse muito boa e pudesse trabalhar para ser imbatível. Foi assim que a empresa deu uma guinada, saiu do mainstream e firmou-se no nicho, apostando forte em jogos de tabuleiros.

Insighters

Seguindo a mesma lógica, o processo pode ser desenvolvido em outras áreas e segmentos. Que tal conversar com uma física sobre magnetismo para estabelecer paralelos com a obtenção e retenção de talentos? Ou então entrevistar um historiador para falar da velocidade das transformações sociais, um operador de tráfego aéreo para obter insights para comunicação de vida e morte, um filósofo para refletir sobre o que a ansiedade pode trazer de bom para a vida das pessoas ou um médico oncologista para compartilhar experiências sobre o tratamento em situações críticas? Esses profissionais são os insighters.

A contribuição deles agrega muito às reflexões sobre estratégia e, com muita simplicidade, os insighters abrem as perspectivas para o cliente. Ao longo desses anos, a metodologia foi lapidada e os resultados alcançados foram cada vez melhores. Quando é realizada a imersão no cliente, observando público interno e externo, entende-se a situação da empresa e pode-se escolher o interlocutor. Quanto melhor estruturado for esse questionário para a conversa, sempre com foco nas experiências dos profissionais, melhores são os resultados para a empresa. É um belo e estimulante aprendizado, e para os clientes uma forma eficiente de superar os desafios que estão vivendo.

Fábio Milnitzky é CEO da Consultoria Estratégica IN

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