Reformas

Falta coragem aos governantes para fazer o que tem de ser feito

A economia já emite os primeiros sinais de recuperação, com o setor privado sendo responsável pela emissão de cerca de 36 mil novas carteiras profissionais. Pode não ser muito para um total de 14 milhões de desempregados, mas é uma tendência de subida que desponta no horizonte.

Temos a atrapalhar ainda – e muito – o setor público, apresentando déficits colossais, cuja cobertura terá de sair do setor privado.

Como o Brasil, porém, aprendeu a protestar, ainda que timidamente, tivemos nos últimos dias vários reclamos contra medidas de aumento de impostos preconizadas pelo governo federal.

O presidente da República, velha raposa política, acabou por desmentir mais essa sangria cujas vítimas seríamos todos nós, pois as alíquotas do Imposto de Renda na fonte sofreriam majoração nas suas diversas linhas limítrofes.

Os alarmistas oficiais foram então acionados, para repetir na mídia que sem aumento de impostos não há solução. Há, sim, e é trabalhosa, além de mexer com gente do mesmo time.

Há que se ter, porém, coragem e determinação para enfrentar o descalabro da comparação entre os privilegiados chapas-brancas e os trabalhadores da iniciativa privada.

Além da desproporção salarial, há um conjunto de benefícios concedidos ao longo dos anos, que hoje se tornaram insuportáveis. Mas, falta coragem aos governantes para fazer o que tem de ser feito.

E assim, de tempos em tempos, estaremos às voltas com a apresentação de vergonhosos déficits públicos, para um país que pouco oferece à grande maioria da população.

Muitos imaginam e chegam até a divulgar publicamente, que somente um governo forte, de exceção, ditatorial, poderia pôr fim ao descalabro. Não é bem assim. Basta que se encham de coragem os parlamentares e os municie o Executivo com projetos de redução drástica de custos, para que a coisa possa ocorrer.

O grande problema é que os representantes, tanto do Executivo como do Legislativo, criaram clãs ao seu redor e estes não aceitam a diminuição ou quebra total do que se convencionou chamar de direitos adquiridos.

E assim, de direito adquirido em direito adquirido, caminhamos para buracos sem fim, que se transformam em grandes provocadores de crises econômicas.

A solução está dentro da lei, mas precisa também estar dentro de cada um dos componentes do governo em seus diversos escalões, tanto no Executivo como no Legislativo, para que se dê início ao estancamento quem sabe definitivo de uma crise que vai e volta em um efeito bumerangue.

Apesar disso, podemos comemorar o início de uma retomada, com a certeza porém de que não será por muito tempo, a menos que nos contentemos com o singelo atingimento de um ponto qualquer no qual nos encontrávamos, ainda já em crise, mas em escala inferior ao que acabamos por sofrer posteriormente.

Há um nível de suportabilidade nos exageros de gastos que provocam as crises, ao qual nos acostumamos sem muito indagar se determinados exageros não poderiam ser evitados.

Quando a situação se agrava de tal forma, como recentemente, e os números descem a níveis escandalosamente baixos, qualquer retomada, mesmo ainda que com água bem acima da cabeça, é tida como um alívio.

É exatamente nesse ponto que não devemos aceitar e nos satisfazer.

Se nosso nível de exigência é tradicionalmente baixo, temos a obrigação, diante de tudo o que passamos nestes últimos meses, de começar as próprias mudanças, procurando entender que as pessoas que foram colocadas no governo com o nosso voto não se transformam em patrões do nosso tempo e trabalho. Ao contrário, são ou deveriam ser nossos colaboradores, para isso foram eleitos e gozam de bons salários para o desfrute de vidas razoavelmente boas.

Nada mais que isso.

 

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No próximo fim de semana, no hotel Sofitel Guarujá Jequitimar, ocorrerá o 8º Fórum de Marketing Empresarial, realização do Lide (Grupo Doria) em parceria com a Editora Referência. Além do seminário que abordará os novos modelos de negócios, o Fórum homenageará pessoas físicas e jurídicas que mais se destacaram no mercado nos últimos 12 meses.

Registro especial para Walter Longo, presidente do Grupo Abril; Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da Pepsico Brasil; e a Empresa Marketing do Ano, a Hypermarcas.

No front publicitário, o Fórum atribuirá o troféu Ícones da Propaganda 2017 a Dalton Pastore, presidente da ESPM; Eduardo Fischer, presidente da Fischer; e Hugo Rodrigues, presidente da Publicis Brasil.

O prefeito de São Paulo, João Doria, confirmou sua participação no Fórum.

 

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Luiz Fernando Musa, presidente da Ogilvy Brasil, convocou toda a equipe da agência para doar sangue na última semana, colaborando para manter o necessário equilíbrio – poucas vezes atingido – na oferta e procura desse vital componente do corpo humano.

Além da preciosa ajuda, a equipe da Ogilvy deu um grande exemplo para o mercado.

 

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A entrega do Prêmio Veículos de Comunicação, realização da Revista Propaganda em parceria com a Academia Brasileira de Marketing, será realizada na noite de 18 de setembro, no auditório Philip Kotler da ESPM/SP.

 

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A edição deste mês da Revista Propaganda terá como matéria de fundo e capa uma abordagem com Sandra Martinelli (ABA) e os resultados mais recentes da sua gestão como executiva da entidade, reconhecida e aplaudida pelo mercado.

 

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Este Editorial é em homenagem a Roberto Justus, que no dia 1º de novembro encerrará uma trajetória de 36 anos no mercado publicitário.

Justus vai se dedicar a atividades artísticas e investimentos em outros setores.

Deixará saudades no meio publicitário, verdadeiro líder que sempre foi.

Armando Ferrentini é presidente da Editora Referência, que publica o PROPMARK e as revistas Marketing e Propaganda (aferrentini@editorareferencia.com.br)

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