Ancine faz retrato da TV paga no Brasil

Atualmente, estão sendo acompanhados 107 canais; existem no Brasil, 5.759 produtoras independentes

 

Danil Melekhin/iStock

A Ancine (Agência Nacional do Cinema) apresentou na semana passada, no Rio de Janeiro, o seu Sistema de Monitoramento da TV Paga, implantado desde 2014. De lá para cá, a agência vem monitorando 107 canais e gravando conteúdos – chegando a um total de 2,3 milhões de horas armazenado.

O sistema permite a obtenção de um retrato detalhado e preciso da TV paga no Brasil, com base em informações do Sistema Ancine Digital, que incluem o registro de empresas, de obras audiovisuais, o cadastramento de canais de programação e a fiscalização do cumprimento das obrigações de veiculação de conteúdo brasileiro. Atualmente, estão sendo monitorados 107 canais, e a Ancine já conta com mais de 2,3 milhões de horas de conteúdo armazenado, que é sempre sincronizado com os dados que são enviados pelas programadoras.

“O monitoramento da TV paga é fundamental para a execução da política de audiovisual, permite não só a fiscalização, pela Ancine, das obrigações legais, como o recolhimento de informações que subsidiam o aprimoramento permanente da nossa política. E também nos ajuda a acompanhar o pulso do mercado audiovisual”, afirma Manoel Rangel, presidente da Ancine.

Hoje existem no Brasil 5.759 produtoras independentes registradas e ativas, sendo 68% na região Sudeste, 13% no Sul, 10% no Nordeste, 6% no Centro-Oeste e 3% no Norte. “Isso é indicador da capacidade de produção do Brasil, é a razão pela qual a Ancine tem tido uma política ativa de nacionalização da produção audiovisual e estímulo à produção nas diversas regiões”, afirma.

Segundo ele, após a Lei 12.485, de 2011, a chamada “produção brasileira independente constituinte de espaço qualificado” deu um salto. Foi de 528 obras em 2012 para 2.246 em 2016, um crescimento de cerca de 270%. Ao todo, foram registradas 3.344 obras audiovisuais no ano passado (823 não independentes). Segundo dados da Ancine, em 2015, 75% das horas inéditas produzidas no país foram obras seriadas, um volume que no ano passado foi de 68%.

Também em 2016, aumentou a produção de longas-metragens, que ocuparam 19% das horas produzidas. Com relação a obras brasileiras independentes, no ano passado 37% foram documentários (um aumento significativo em relação às horas produzidas no ano de 2015, que foram de 32%), 19% ficção (outro aumento importante em relação a 2015, quando se registrou 16% das horas de ficção produzidas), e 32% variedades.

“É interessante ver como se abriram em vários perfis as obras produzidas no Brasil. A maior parte da produção independente se concentra, naturalmente, em variedades e documentários, o que se explica pelo custo mais baixo e relação a obras de ficção e animação, por exemplo”, observou Rangel. Em 2016, houve um aumento de 30% de horas inéditas de obras brasileiras independentes financiadas com recursos públicos federais (de 499, em 2015, para 648). O levantamento da Ancine apontou uma discrepância entre obras produzidas registradas e as efetivamente veiculadas na TV.

Em 2016, por exemplo, cerca de 252 obras, das 550 produzidas com recursos que tiveram emissão do registro de CRT para TV Paga, não foram veiculadas, sendo que, no caso das obras produzidas sem recursos federais, o volume não veiculado ainda aumenta bastante – pelo menos 433 obras das 1.346 que tiveram registros emitidos para TV Paga.

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