Sinfonia da Violência provoca brasileiros a sair da inércia

Ação da Unlockers, Lucha Libre e Drac Studio usa sons de disparos para alertar sobre indiferença à violência

Divulgação
 

A notícia de um novo crime se tornou tão cotidiana que não choca mais o público brasileiro. Trata-se de uma triste sina de um país onde, apenas no ano passado, mais de 59 mil pessoas foram assassinadas. Para ajudar a transformar essa percepção, o coletivo Unlockers, a Lucha Libre Áudio e o Drac Studio criaram uma experiência que tenta provocar novamente essas sensações naturais humanas diante de situações de incômodo intenso.

O principal objetivo da ação, chamada "Sinfonia da Violência", é gerar sensações de tensão e incômodo em seus ouvintes, sentimentos que deveriam ser comuns a qualquer brasileiro diante de uma nova notícia de um assassinato no Brasil. Mantendo o debate vivo até que essas notícias não existam mais. Cartazes especiais foram produzidos para destacar alguns dos mais recentes assassinatos cometidos no Brasil, como os de Marielle Franco, João Pedro Engels, vítima de quatro disparos quando deixava uma agência bancária em São Paulo, e de cinco garotos assassinados brutalmente dentro de seu próprio condomínio em Maricá. Cada pôster foi baleado com o mesmo número de tiros e o mesmo calibre das armas utilizadas em cada uma dessas ocorrências. 

O som e as marcas dos disparos, transformadas em partituras, inspiraram a composição da “Sinfonia da Violência – a música menos agradável de se ouvir”, utilizando ainda recursos sonoros que geram reações físicas reais aos ouvintes. A trilha traz ainda linhas de bateria gravadas por Matt Sorum (Guns N’ Roses e Velvet Revolver) logo após seu primeiro contato com o material.

“Aliamos os barulhos reais de disparos, sons de baixa freqüência, dissonância musical e outros elementos que comprovadamente resultam em sentimentos como ansiedade, tensão e medo – sensações que deveríamos ter diante de situações de violência como as que vivemos e não temos mais”, explica Paulinho Corcione, sócio e produtor da Lucha Libre. “Esses infrassons, em torno de 18 e 20 hertz, são conhecidos como a ‘frequência do medo’. Eles são produzidos naturalmente por alguns predadores, como os tigres, e chegam a penetrar no cérebro da presa podendo gerar diversas sensações incômodas, inclusive sua paralisação”, reforça o Dr. Roberto Hirsh, neurologista do hospital Albert Einstein que atuou como consultor no projeto.

Através do site Sinfoniadaviolencia.com, é possível fazer uma imersão na experiência, testando suas próprias reações diante da sinfonia. O visitante também é convidado a conferir os cartazes, ler mais informações sobre os crimes e fazer doações para projetos educacionais e instituições que lutam contra a violência no Brasil. Os cartazes reais foram transformados em uma exposição itinerante que já passou por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e devem ter como destino final Brasília, junto com um convite para que o Ministro da Segurança Pública se junte à causa.

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