Braille Bricksabre patente

Projeto da Lew’Lara\TBWA, recusado pela Lego, está disponível no common rights e é exaltado até pela Casa Branca

 

Por Paulo Macedo

 

 

No último mês de abril, a Lew’Lara\TBWA lançou uma proposta diferenciada para a Fundação DorinaNowill que desde a década de 40 presta serviços assistenciais à comunidade com deficiência visual, mal que age lentamente em alguns indivíduos, sem mencionar os que já nascem cegos. No primeiro caso, quanto mais cedo a adequação a esse novo estágio da vida melhor será a qualidade do dia-a-dia do indivíduo. Um dos cenários pragmáticosé a antecipação do aprendizado de braile, como recomendam os especialistas.

Com isso em mente, a dupla formada pelos profissionais Ulisses Razabonie Leandro Pinheiro, com a liderança do vice-presidente de criação Felipe Luchi, começaram a desenvolver o projeto “Braille Bricks”, de tom lúdico, que chamou a atenção da fundação que ajudou a equipe de profissionais da agênciana elaboraçãodos kits de ensino quer utilizavam peças de Lego. Os três são conhecedores dos encaixes desse brinquedinho lúdico e presente no imaginário não só da criançada, mas também de adultos que gostam dos desafios impostos para juntar peças. Mas o site Lego Ideias recusou a proposta.

A ideia nasceu a partir de um insight da primeira observação do alfabeto Braille, o qual é semelhante às peças clássicas de Lego, que seguem o padrão 3x2 pinos. A partir dessa referência, Leandro e Ulisses, tiveram o desafio de encontrar peças originais com as cores clássicas da marca. Através do portal Brick Link – comunidade de pessoas apaixonadas por Lego, que colecionam e vendem o item a granel –, foi possível conseguir os blocos em diferentes lugares do mundo. Finalizada a pesquisa, foi dado início ao processo de produção que durou cerca seis meses. Para se chegar ao resultado esperado, mantendo as mesmas cores, power click (encaixe) e características do brinquedo, as peças, feitas uma a uma, passaram por cerca de nove etapas, entre elas: corte, lixa,alisamento e posicionamento dos pinos. Toda a ação, desde a ideia até a confecção, levou aproximadamente um ano.

Para Eliana Cunha, assessora de serviços de apoio à inclusão, da Fundação DorinaNowill, o Braille Bricks é fruto de uma ideia criativa e surge para contribuir com o universo educacional. “O sistema de escrita e leitura Braille é fundamental para o processo de alfabetização das crianças cegas e agregá-lo às peças de Lego, conhecidas e apreciadas por todas as crianças (e adultos também!), faz com que o Braille Bricks seja um recurso lúdico que contribuirá com essa aprendizagem, promovendo interatividade entre todas as crianças além de se constituir uma tecnologia propositiva na área educacional”."Aprender brincando sempre foi um jeito muito importante de desenvolver e educar as crianças. Conseguir trazer para esse processo de aprendizado a inclusão de crianças cegas é maravilhoso”, destacou Marcio Oliveira, CEO da Lew'Lara\TBWA.

“Com a recusa da Lego, decidimos liberar a patente no site creativecommons e promover a campanha #braillebricksforall. Ou seja, qualquer fabricante ou instituição de ensino poderá produzir seu Braille Bricks sem precisar pagar nada. A repercussão foi gigantesca. Até a Casa Branca, por meio de sua conta oficial no Twitter focada em ensino, aderiu à causa. Estamos recebendo e-mails de vários países, de instituições de ensino e mesmo pais de crianças, com algum tipo de deficiência visual, interessados que o projeto seja continuado. Fora dezenas de publicações de design e negócios do mundo todo comentando o trabalho. Da Wired, passando pela FastCompany, o Huffington Post, a CoCreate, Taxi e até a AIGA”, explicou Luchi.

O Projeto Braille Bricks foi criado originalmente para uma iniciativa chamada Bengala Verde. “Ao apresentarmos a ideia o próprio cliente identificou nela uma qualidade maior, que era a inclusão: o poder de unir crianças com e sem deficiência em torno de um brinquedo, enquanto aprendiam. Como isso em mente, eles nos puseram em contato com a Fundação DorinaNowill, que se interessou muito e imediatamente nos ajudou a desenvolver os kits de ensino. Eles nunca tinham visto nada parecido e nos ajudaram a colocar de pé o projeto”, descreveu o vice-presidente da Lew’Lara\TBWA.

Luchi acrescenta: “Desde pequeno eu brincava de Lego e tenho muita admiração pelo produto; sempre que posso, compro para os meus filhos. Procuramos a Lego Brasil que nos ajudou bastante ao nos colocar em contato com o Lego Designer Specialist. Elessugeriram que submetêssemos a ideia nolegoideas.com, um site da Lego para que pessoas do mundo todo enviem projetos envolvendo a marca. Com tudo pronto, enviamos e para nossa surpresa fomos recusados. A Fundação DorinaNowill já estava implementando o uso do Braille Bricks e estávamos felizes com isso, mas a chance de fazer disso um produto global, para ajudar crianças e fundações do mundo todo, era algo que realmente gostaríamos de alcançar”. “Hoje, produzimos dois lotes de 3.200 peças. Com o passar do tempo vamos produzir um terceiro com mais 1.600. Com isso estamos ajudando 300 crianças da fundação mais as instituições de ensino com as quais ela colabora”, finalizou.

 

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