Poker, sem mitos e clichês

Maior site de poker do mundo, o PokerStars é patrocinador do brasileiro André Akkari, personagem da Entrevista desta edição

Por que o poker exerce um fascínio contagiante nas pessoas?

Por diversos fatores, a começar que jogo é fascinante, o esporte é fascinante. O ser humano, desde o começo da sua existência, é completamente fascinado pela competição, disputa se superar e superar outros seres humanos a todo momento. O poker é uma forma simples, mas eletrizante, de aplicar estas forças naturais do ser humano. Nove pessoas sentam, conversam, socializam, mas, no final, são nove mentes disputando lógica, matemática e percepção humana. Isto é muito excitante.

 

Qual é a essência competitiva desse jogo?

O jogo consiste em uma disputa entre pessoas em mesmas condições, através de uma regra de hierarquia de mãos prestabelecida, onde todos tentam formar os melhores jogos ou tentam simular que possuem os melhores jogos, mão após mão, eliminando seus oponentes e ficando com suas fichas. Até que só reste um campeão entre todos os participantes.

 

É um jogo que exige inteligência? É um jogo educativo, cognitivo?

 

Existem diversos tipos de inteligência humana, com certeza o poker requer algumas delas. A percepção de lógica no poker é fundamental para o sucesso. O poker ensina demais sobre matemática e sobre administração de patrimônio, leis econômicas que todos os seres humanos deveriam saber e esse jogo tem o poder de ensinar de uma forma simples e divertida. Mas talvez a parte mais importante que o poker pode entregar para os seus participantes é aprender sobre os padrões de comportamento do ser humano, onde ele se afeta com pressão, como ele reage feliz, triste, decepcionado, com medo ou corajoso. Ler o oponente é fundamental para o sucesso.

 

O que está além do jogo presencial com a era digital?

Atualmente, 90% dos jogadores profissionais têm suas rotinas voltadas para o poker online, em que em apenas um dia você consegue um volume de torneios que  precisaria de três anos para jogar ao vivo. Poker é um conjunto de decisões de curto prazo, que não garantem um resultado positivo no mesmo prazo, e, sim, somente no longo prazo. Portanto, volume de jogo - jogar muitos torneios - é fundamental para se fazer valer neste esporte. O digital é fundamental para isto.


É um jogo de azar ou há mais elementos envolvidos?

Por definição, jogo de azar é um jogo que depende única ou exclusivamente da sorte, sem alteração de resultado dependendo da intervenção dos seus participantes. Isto é tudo que o poker não é. No poker, 86% das mãos jogadas não chegam até o final, ou seja, você nem vai saber o que o seu oponente possui nas mãos; simplesmente sucumbe a sua capacidade técnica e entrega o pote para ele. É um resultado derivado apenas da capacidade dele de simular uma situação que lhe cause sustos daquela mão.

 

Aquela velha imagem de ambiente escuro, charutos e boa bebida prevalece?

Não mais. O poker, no mundo inteiro, já superou isto. Hoje é considerado esporte da mente por todo o planeta ou pelo menos nos maiores países do mundo. A falta de educação básica, que gera preconceitos em diversos países, ainda pode levar a esta barreira contra o jogo, mas que cada vez mais vem sendo derrubada. O poker não é esporte somente porque os profissionais passaram a considerá-lo com esse perfil; ele é reconhecido por organismos internacionais, que definiram que a sua natureza é profissional. A IMSA (International Minds Sports Asssociation) é a entidade responsável por dizer o que é ou não esporte. E o poker é um esporte, segundo sua avaliação. Está definido. Os campeonatos de poker hoje são sucesso total em toda a Europa e nos Estados Unidos. No Brasil ainda temos uma parte da população que possui algum tipo de preconceito, principalmente a parcela de mais idade. Mesmo assim, os elementos que comprovam as competições, os resultados dos profissionais, anularam quase totalmente a imagem da sala escura com bebida e charutos. Na vida real isto não existe mais, mas no subconsciente das pessoas, às vezes, ainda aparece.

 

O marketing está se aproveitando do poker? Como profissional formado em marketing creio que seja um uso compartilhado. O poker usa muito do marketing e vice e versa. Marketing é a essência da estratégia de levar a informação para vender o que temos de melhor. Os grandes pontos do poker são facilmente vendáveis, o que faz com que o marketing tenha um trabalho relativamente fácil neste ponto. O jogo fala por si só e quando promovemos a educação no poker, levando o jogo para mais pessoas, ele automaticamente as convence do quão “adrenalizante” e excitante ele é. Cada vez mais as empresas e seus departamentos de marketing também estão vendo no poker uma oportunidade. E isso está apenas no início; é preciso entender que o poker tem um público altamente consumidor de classe média, média alta e alta, que viaja o mundo inteiro correndo o circuito, que gosta de consumir marcas que apoiem o nosso esporte, então acho uma via de mão dupla.


Quais marcas se apropriam do poker nas suas estratégias de comunicação?

Hoje em dia, no mundo inteiro, diversas marcas já se associam ao poker em diversas instâncias. Cito como exemplo Puma, Johnnie Walker, Ruffles, Monster e Coors Light, entre diversas outras. Jogadores e torneios são patrocinados e promovidos em parcerias grandiosas. Além disto, o esporte está presente em praticamente todas as empresas do mundo, através dos home- games entre funcionários ou palestras que relacionam o poker com negócios. Eu mesmo, em 2016, fiz mais de 40 palestras, isto porque tenho uma agenda repleta de torneios, que me tiram oito meses por ano do Brasil.

 

O poker pode ser aproveitado no ambiente promocional ou live marketing?

Em diversas situações e em várias empresas no Brasil, o poker já foi utilizado como “fim” para campanhas de incentivo, para gerar promoções e competições entre funcionários, para ser produto de promoções em campanhas com seus clientes. São lounges, sorteios, viagens e diversas outras formas de interação entre o poker e o mundo corporativo ao redor do mundo.


Há feiras relacionadas ao esporte?

Sim, as feiras relacionadas a jogos, de uma forma geral, sejam eles e-sports, jogos de azar ou jogos de habilidade, estão por todo o mundo. Em Londres, todos os anos, são realizados eventos enormes, assim como em todo os Estados Unidos. No Brasil temos em algumas áreas, como a BGS, que é voltada para o e-sports, mas nada exclusivamente falando de poker.

 

Houve uma revitalização do poker?

Sim, a partir de 2002, os torneios tomaram posse do cenário do poker mundial. O que antes era um jogo valendo dinheiro de fato, na mesa, o que gerava aquela imagem da sala esfumaçada, com bebida e mulheres, perdeu seu posto para um esporte mental nos maiores hotéis do mundo, com valor de entrada predefinido, como em qualquer esporte, e premiação estabelecida, também como em qualquer esporte. Este novo modelo ganhou as televisões. E os organizadores de eventos, cada vez mais audaciosos, levaram o poker a um novo patamar, completamente revigorado.


Mas continua envolvendo dinheiro?

Sim, claro, todos os esportes envolvem dinheiro. Um jogador de tênis paga um valor de inscrição para jogar um torneio e, se ganhar, leva um cheque; no poker é a mesma coisa. Os participantes pagam uma entrada, que é acumulada para um prêmio entre os jogadores por melhores colocações. Esta é, e sempre foi, a natureza do esporte. O Campeonato Brasileiro de Futebol funciona da mesma forma.

 

Qual o volume de dinheiro que o poker movimenta globalmente?

Não tenho esta informação precisa, mas são centenas de bilhões de reais, creio eu. Quando isto é somado aos outros jogos de habilidade e e-sports, os números são ainda mais expressivos.

 

E no Brasil? Qual é o recorde brasileiro do ponto de vista financeiro?

Os prêmios de jogadores brasileiros pelo mundo todo são enormes. O Brasil tem uma safra vencedora nos principais torneios internacionais. Os eventos também são grandiosos, o BSOP (Brazilian Series of Poker) já é considerado, por número de participantes, o segundo maior evento do mundo.


Há algum preconceito com o poker?

Sim. No Brasil ainda existe, mas, com a tecnologia e a modernização, isto vem sendo cada vez menor. Preconceito aparece normalmente por falta de informação, um povo bem-educado, com acesso ao que ocorre no mundo, sofre menos com preconceito em todas as áreas. O Brasil ainda é um país ultraconservador, que sofre com falta de estrutura, não somente nas classes mais baixas. Algumas vezes, os próprios formadores de opinião são mal informados e preguiçosos. Como o povo brasileiro compra qualquer coisa por influência, um ou outro comete o erro de interpretar o poker de forma equivocada ou com uma visão antiga. O poker supera esta barreira porque conta com a força do próprio jogo, os resultados dos seus profissionais, as informações vindas do exterior, tudo isto faz com que a maior vergonha seja do agente do preconceito e não do próprio esporte. 

 

Quais os clichês e mitos que envolvem o poker?

Um dos maiores mitos que o poker enfrenta é o da compulsão. Contar uma parte da verdade porque o interessa é sempre prejudicar a verdade por completo, isto no poker ocorre através de um mito.

 

O poker pode gerar compulsão?

Sim, se até a internet, o sexo e as academias podem gerar compulsão, por que o poker não seria um agente nesse sentido? Mas esquecê-lo como real atividade esportiva, que movimenta 400 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, é contar uma meia verdade, um mito que o prejudica. Ninguém acha que a atividade sexual deveria ser combatida porque seres humanos se impulsionam para a compulsão. Na lista das atividades que mais geram compulsão por diversos estudos americanos, o poker aparece atrás na lista de “addiction” de atividades como sexo e academia. Mas, muitas vezes, a visão plástica da mesa de poker, a mistura com jogos de casino como roleta e black jack, torna interessante para emissoras de televisão no Brasil ignorar o outro lado da verdade e gerar mitos que não se concretizam. Aí aparecem os clichês de jogadores com charuto na boca, com pilhas de dinheiro na frente, perdendo fazendas etc. Eu sou campeão mundial de poker, nunca fumei na minha vida um cigarro, um charuto, maconha, nada! Nunca arrisquei perder nem uma quitinete e já faturei para comprar uma fazenda com prêmios ganhos em atividades esportivas, pagando todos os meus impostos de forma correta. Entretanto, esta verdade às vezes não gera audiência.

 

Qual é o futuro do poker?

O futuro do poker é magnifíco. O Brasil segue a linha dada pelo mundo, como em tudo o que fazemos, infelizmente em muitos casos, mas felizmente neste. O poker é o quinto esporte mais visto na TV americana; o poker não para de crescer e assim vai ser nos próximos 10 a 20 anos. Novas formas do jogo aparecerão no futuro, dando ainda mais dinamismo e habilidade envolvida para ele.

 

Divulgação

Como o poker é promovido no Brasil?

Por diversas formas, a primeira delas pelo amor que os praticantes possuem pelo jogo. Em suas redes sociais e seus resultados promovem isto a todo momento. Os grandes eventos de poker também estão presentes no Brasil com força total promovendo suas competições, o calendário brasileiro fica cada vez mais ativo. Os sites de poker não param de crescer e investir também no mercado brasileiro. As grandes marcas, principalmente aquelas com características modernas e engajadoras, vão, cada vez mais, se associar com o nosso esporte. O poker está voando alto e vai brilhar cada vez mais! 

 

 

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